quarta-feira, 1 de maio de 2013

HISTÓRIA DOS ROCHA BEZERRA

Os Rocha Bezerra (III)

Balthasar da Rocha Bezerra e Josefa Maria da Silva eram bisavós do Jornalista Pedro Avelino, trisavós de Edinor Avelino e do escritor Afonso Bezerra. Aqui vamos fazer os registros de alguns de seus descendentes. Nos diversos registros os sobrenomes de Balthasar e de Josefa são alterados. No caso de Josefa, uma variação que encontramos foi a substituição de Maria da Silva por Barbosa da Silva, mesmo sobrenome de um de seus filhos. É possível que, no caso de Josefa haja algum parentesco com Francisca Barbosa da Silva, filha de Antonio Barbosa da Silva e Maria Barbalho Bezerra, citados no artigo anterior.
As duas modificações aparecem juntas no casamento de um dos seus filhos, lá na Ilha de Manoel Gonçalves, como transcrevemos a seguir:
"Aos onze dias do mês de Outubro de mil oito centos e vinte e oito pelas des horas da manhan, no Oratório de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Manoel Gonçalves, tendo precedido as Canônicas Denunciações sem impedimentos, e os mais registros do costume, o reverendo Luiz Gonzaga da Costa Moreira, de licença minha, ajuntou em matrimonio e deo as bênçãos nupciaes aos meos Paroquianos Manoel da Rocha Biserra, e Josefa Jacintha de Vasconcelllos naturaes e moradores nesta Freguesia, elle filho legitimo de Balthasar da Rocha Silveira e Josefa Barbosa da Silva, ella filha legitima de Carlos de José Sousa e Maria Manoella Archangela dos Santos, sendo testemunhas o Capitão João Martins Ferreira, e o Capitão Silvério Martins de Oliveira, que com o sobredito padre assignão o assento, que me foi remetido, pelo qual fiz o presente, que assigno, o Vigário João Theotonio de Sousa e Silva."
Encontramos os registros de batismo de dois filhos de Manoel da Rocha Bezerra: Genuína, nascida em 11/9/1832, cujo padrinhos foram Antonio Barbosa Bezerra, e Josefa Maria de Sousa, por Procuração que apresentarão João Manoel da Costa e Josefa Cândida da Rocha Bizerra; Joaquim, nascido em 2/4/1835, cujos padrinhos foram José Martins Ferreira e sua mulher Josefina Maria Ferreira. Em um registro de casamento encontramos outro filho: era José Círiaco da Rocha Bezerra que casou com Maria da Natividade Martins das Flores em 2/10/1871, no Sítio Juazeiro. Ela era filha de Agostinho Barbosa da Silva e Sabina Martins dos Santos.
Agostinho Barbosa da Silva, que não contem Rocha Bezerra, era outro filho de Balthasar da Rocha Bezerra e Josefa Maria da Silva. Ele casou, em 30/6/1832, lá na Fazenda Carapebas, com uma filha de João Manoel da Costa e Anna Martins dos Santos, Sabina Martins dos Santos. Desse casal, Agostinho e Sabina, nasceu Maria da Silva, mãe de Maria Monteiro, que por sua vez era mãe do escritor Afonso Bezerra. Outro filho de Agostinho e Sabina era Manoel Fernandes da Rocha Bezerra que casou com Maria Xavier da Costa Torres, em 29/6/1874. Ela era filha de Francisco Xavier Torres Junior e Maria Joaquina Lúcia da Costa. Agostinho Barbosa da Silva Junior foi testemunha. Ele era casado com uma filha de João Manoel e Josefa Cândida.
Josefa Cândida da Rocha Bizerra, que aparece como procuradora no batismo de Genuína, era uma das filhas de Balthasar e Josefa. Ela casou com João Manoel da Costa e Mello, em 4/8/1828. Era o terceiro casamento de João Manoel.
Outro filho de Balthasar da Rocha Bezerra e Josefa Maria da Silva era Matheus da Rocha Bezerra.
"Aos vinte e doito dias do mêsz de Agosto de mil oitocentos, e trinta e cinco, em Oratório Privado, da casa do Senhor Juiz de Paz, Antonio da Silva Carvalho, branco, casado, depois de feitas as deligenicias do estilo, do que não resultou impedimento algum Canônico ou Civil, confessados, examinados em doutrina Cristã pelas nove horas do dia, em minha presença, e das testemunhas Antonio da Silva Carvalho, e Mathias Macedo Cabral, casados, de Licença do Reverendo Senhor Vigário desta Freguesia, se receberam em Matrimonio, por palavras de presente, Matheus da Rocha Bizerra, com Anna Angélica Teixeira; aquele filho legitimo de Balthasar da Rocha Bizerra, e de sua mulher Josefa Maria da Silva; e esta filha legitima de Joze Joaquim Teixeira Pinto, e de sua mulher Antonia Francisca da Conceição, ambos Nubentes são naturais da Freguesia de São João Baptista de Assú e moradores nesta Freguesia; e logo lhes dei as Bênçãos do Ritual Romano, e para constar fiz este assento, e por verdade assinei. O Coadjutor Pro Parocho Ignácio Damazo Corrreia Lobo."
O professor Matheus lecionou em Macau. Entre os filhos do casal citamos Balthasar da Rocha Bezerra que casou em 12/2/1882 com Maria de São José Bezerra, filha de Agostinho Barbosa da Silva e Sabina Martins dos Santos; Ana da Natividade Bezerra que nasceu em 14/7/1837. Anna casou com Vicente Maria da Costa Avelino em 24/2/1857. O casal Ana e Vicente tiveram mais de 20 filhos. Entre eles citamos o Jornalista Pedro Avelino, Emygdia Avelino, Emygdio Avelino, pai de Edinor Avelino, e Anna dos Prazeres.
Citamos ainda como filhos de Balthasar e Josefa: Isabel Francisca Bezerra que casou com João Martins Pedroso (ou Pedroza) da Costa, um dos filhos de João Manoel da Costa e Mello e Anna Martins do Santos, citados acima; Antonio da Rocha Bezerra que casou em 19/12/1839, com Anna Joaquina de Souza, filha de Antonio Francisco de Azevedo e Joaquina Maria da Conceição.
Uma das filhas de Matheus e Ana, Felisbela Maria da Rocha Bezerra casou com Antonio Rodrigues Ramos, em 21/1/1867. Ele era natural da Freguesia de São Pedro de Tendais do Reino de Portugal, morador em Bananeiras, Paraíba.

Os Rocha Bezerra (II)

Francisco da Rocha Bezerra Junior e Maria Egiciaca de Moraes foram dispensados de terceiro grau de sangüinidade atingente ao segundo. Eram parentes, portanto. Na verdade, a mãe de Francisco, Bernardina Josefa de Moraes tinha o mesmo nome da mãe de Vito Antonio de Moraes e Castro. Por isso, acredito que Bernardina e Vito eram irmãos. Além disso, a esposa de Vito, Anna Poderosa de Moraes, era filha do Capitão Mor Joaquim Moraes de Navarro, neta de José de Moraes Navarro e bisneta de Manuel Alves (Álvares) Murzello e Anna Poderosa de Moraes. Os irmãos José de Moraes Navarro e Manuel Álvares de Moraes Navarro chefiaram o Terço Paulista aqui no Rio Grande do Norte. Posteriormente, como vimos no artigo anterior, Francisco da Rocha Bezerra Junior foi para o Pará. Seus descendentes têm no sobrenome Rocha Bezerra e Moraes.
Encontramos um batismo, do ano de 1782, rico em dados que transcrevemos a seguir, de Manoel Barbalho Bezerra.
"Manoel filho legitimo do Tenente Coronel Antonio da Rocha Bezerra e de Dona Joanna Ferreira natural desta Freguesia, neto Paterno do Coronel Antonio da Rocha Bezerra natural da Paraiba, e de Josefa de Oliveira Leite natural desta Freguesia; e Materno do Sargento Mor Manoel Antonio Pimentel de Mello e de Anna Maria da Conceição naturais desta Freguesia, nasceu a quatorze de Agosto de mil sete centos e oitenta e dois, e foi batizado a quatorze de 8bro do dito ano de licença do Reverendo Vice Vigário Francisco de Sousa (parece Vasconcelos) pelo Padre Vigário de San José Francisco Manoel Maciel de Mello com os Santos Óleos na Capela da Soledade; foram Padrinhos Anselmo José de Faria e sua mulher Marianna da Rocha desta Freguesia; e não constava do assento mais do que mandei fazer este, e por verdade me assino. Pantaleão da Costa Araújo. Vigário do Rio Grande."
Aos vinte e hum de Agosto de 1820, Manoel Barbalho Bezerra, acima, casou com D. Ignes Maria de Araújo, filha do Capitão José Dantas Correa e Anna Maria da Conceição. Em 1831 casou uma filha de Antonio da Rocha Bezerra, como a seguir registrado. Os nubentes eram parentes como demonstrado na dispensa de consangüinidade.
"Aos sete de janeiro de mil oitocentos e trinta e um, nesta Matriz feitas as denunciações, sendo dispensados no terceiro grau atingente ao segundo duplicado de sangüinidade, em presença de Padre Manoel Pinto de Castro de minha licença, se receberam por palavras de presente Gonçalo Francisco da Rocha, e Maria Bezerra Cavalcanti Rocha, naturais desta Freguesia, onde é moradora a nubente, filha legitima de Leonardo Bezerra Cavalcante, e Bernardina Josefa de Moraes Navarro, e o nubente morador na Freguesia de Extremoz filho legitimo de Antonio da Rocha Bezerra, e de Dona Joana Ferreira de Mello já falecidos; e receberam as Bênçãos; sendo testemunhas o Reverendo Felis Francisco Corrêa Barros, vigário de Extremoz e o Comandante das Armas Pedro José da Costa Pacheco, casado do que fiz este termo que assinei. Antonio Xavier Garcia de Almeida. Vigário Interino."
Na Revolução de 1817, fazia parte do Governo Provisório, instalado por André de Albuquerque Maranhão, o capitão Antonio da Rocha Bezerra. Com o assassinato de André Maranhão, o Capitão Antonio da Rocha Bezerra foi preso. Somente em 1818 foi anistiado. Posteriormente, chegou a assumir a Presidência da Província do Rio Grande do Norte.
A seguir um registro de Batismo na família Barbalho Bezerra.
"Maria filha legitima de Antonio da Costa e Seyxas, de sua mulher Francisca Barbosa da Silva natural da Freguezia de San João Baptista do Assú, neta por parte paterna de Teodosio da Costa Seixas natural de Olinda, e de Marcelina Barbalho Bezerra natural de Assú, e pela materna de Antonio Barbosa da Silva natural de Pao de Arco( é o que consegui ler), e de Maria Barbalho Bezerra natural de Assú, nasceu no primeiro de Novembro de mil setecentos e oitenta, e foi baptizada de licença minha com os Santos Óleos Pelo Padre Bonifácio da Roxa Bezerra, digo Vieira na Capela de Nossa Senhora da Soledade desta Freguesia, a, os vinte e quatro do dito mês e anno foram padrinhos o Capitão Antonio da Roxa Bezerra, e Joanna Ferreira de Mello sua mulher e não continha mais no dito acento e por verdade ausente o Reverendo Vigário me assinei. Pe,. Joaquim Pereira. Pr Vigário"
Os nomes se repetem em vários lugares, sem que possamos definir quem é quem com precisão. De qualquer forma façamos o registro. Em Assú, na data de 29/6/1826, morre com 24 anos de idade, Balthasar da Rocha Bezerra, esposo de Maria Farto. Em 21/2/1830, casa-se, na idade de 46 anos, Balthasar da Rocha Bezerra, viúvo de Maria Joanna, com Mariannna Francisca de Oliveira, filha de Manoel Alves de Oliveira e Archangela Martins Barbosa.
Em onze de janeiro de 1827 Ponciano Barbalho Bezerra Junior casa-se com Anna Apolônia de Nazareth, ele filho legitimo de Ponciano Barbalho Bezerra e Joanna Maria da Silva e ela de José Anastácio Coutinho e Maria Joaquina Ezequiel. Ponciano morreu, oito anos depois em 1835, com a idade de 40 anos. Em vinte e dois de outubro de 1829 casa-se Joana da Rocha Bezerra, filha de Ponciano e Joana, com Felis Antonio
No próximo artigo, continuaremos com os Rocha Bezerra, com ênfase nos descendentes de Balthasar da Rocha Bezerra e Josefa Maria da Silva, presentes na região de Angicos, Santana do Matos, Afonso Bezerra e Macau.

Os Rocha Bezerra (I)

No artigo anterior escrevemos sobre uma carta patente de capitão, que foi concedida para Antonio da Rocha Bezerra. Lá noticiamos sobre várias pessoas dessa que é considerada uma das "principais famílias desta Capitania", como disse Pedro de Albuquerque Mello, Capitão mor e governador da Cidade de Natal, Capitania do Rio Grande do Norte. Algumas de nossas Datas e Sesmarias foram concedidas para membros dessa família como exemplificamos a seguir:
Balthasar da Rocha Bezerra, em 25 de junho de 1735. Terras no Rio dos Angicos. Ribeira do Assú. "Esse, irmão de José da Rocha Bezerra que casou com Antonia de Freitas Nogueira, fundadora do Apody. Outra mais nas terras da Ribeira do Paneminha no lugar chamado Adiquinon"; Coronel Antonio da Rocha Bezerra (morador no Assú), em 3 de julho de 1736, Terras no Assú, na Lagoa do Piató, no Lugar chamado de Saco Grande; Coronel Miguel Barbalho Bezerra, em 29 de julho de 1736, Terras no sitio "Pichoré", Ribeira do Assú. Estas terras foram adquiridas pelos Fernandes entrelaçados aos Alves de Angicos, cuja fazenda localiza-se atualmente no Município de Santana do Matos, conservando o nome Pichoré. Pertenceu ao ex-deputado estadual Asclepíades Fernandes; Joana da Rocha Bezerra, em 3 de março de 1742. Terras entre a Serra do Curralinho e data de Curicaca, Ribeira do Assú; Mariana da Rocha Bezerra, em 19 de novembro de 1739, Terras nos testados do sítio das Cacimbas correndo pela Ponta do Mel, Ribeira do Assú; Tenente-Coronel Antonio da Rocha Bezerra, em 22 de janeiro de 1737. Terras no Riacho pegando de Poços dos Porquinhos até o Poço de Juripari, Ribeira do Assú; Coronel Antonio da Rocha Bezerra (morador no Assú), em 8 de outubro de 1757. Terras na Ponta da Ilha, estrada que vai para o Sítio do Sacramento, Ribeira do Assú; Coronel Miguel Barbalho Bezerra (morador no Assú), em 3 de novembro de 1753. Terras pegando dos testados da data do sítio Pedra Grande e Curralinho acima, Ribeira do Assú.
No mesmo artigo, citado acima, falamos que Miguel Barbalho Bezerra era irmão de Balthasar da Rocha Bezerra, conforme consta nas Sesmarias 552.
De Brasília recebo uma mensagem de Demétrio Bezerra dizendo: Sou tetraneto do potiguar Francisco da Rocha Bezerra, que no Século XIX transferiu-se com a família para o estado do Pará, onde nasceram muitos descendentes. Depois complementa: Para facilitar as coisas, informo que meu tetravô Francisco da Rocha Bezerra era casado com Maria E. Moraes, ambos nascidos no Rio Grande do Norte. O casal teve pelo menos os filhos: Francisco Bezerra da Rocha Moraes (meu trisavô), Joaquim da Rocha Bezerra e Victor Antonio Moraes da Rocha (este nome pode conter alguma incorreção), ao que parece todos nascidos no Rio Grande do Norte. Pelo que encontramos em documentos no Pará, talvez a família tenha se radicado em Soure, Ilha de Marajó, onde adquiriu muitas propriedades a partir de 1845.
Com as informações acima, localizei o registro de casamento de Francisco da Rocha Bezerra e Maria E. de Moraes. Acontece que lá, o segundo nome de Maria está ilegível e, por isso, acredito, é que o nome da nubente só tem a inicial. Inicialmente, pensei que era Egina, que segundo dados colhidos na internet era uma deusa grega e também o nome de uma das ilhas da Grécia. Posteriormente, encontrei um registro de batismo onde aparece o nome Maria Egiciaca. Conferindo, cheguei a conclusão que esse nome esquisito era o mais provável para representar o E. de Maria E. Moraes. Na internet descobri que era o nome de uma santa espanhola, Egipciaca ou Egiciaca. Por fim, transcrevo o casamento de Francisco da Rocha Bezerra Junior, que tempos depois foi morar no Pará. O documento de 1817 estava estragado e, portanto, pode haver equívocos na transcrição.
"Aos dez de outubro de mil oitocentos e dezassete pelas nove horas do dia na Capella de Santo Antonio do Potigi, desta freguesia depois de feitas as denunciações, nesta freguesia aonde ambos os nubentes são naturais e moradores;e não constando canônico ou civil impedimento com deve das sentenças da dispensa de terceiro grau de sanguinidade atingente ao segundo e banhos que ficam no arquivo desta matriz em presença do Padre Manoel José Fernandes Barros de minha licença e das testemunhas Vito Antonio de Moraes e Francisco da Rocha Bezerra, brancos casados e moradores nesta Freguesia, se casarão em face da Igreja, solennemente Francisco da Rocha Bezerra Junior, filho legitimo de Francisco da Rocha Bezerra e D. Benardina Josefa de Moraes com D. Maria Egiciaca de Moraes filha legitima de Vito Antonio de Moraes, Castro, e D. Anna Poderosa de Moraes, e logo o dito Padre lhes deu as bençãos segundo os Ritos e Ceremonias da Santa Madre Igreja; do que fiz este termo em que por verdade assignei. Feliciano José Dornellas, Vigário Colado".
Francisca de Moraes Castro, irmã de Maria Egiciaca, casou com Miguel Avelino do Rego Barros, em 1820. Outra irmã, Josefa Bernadina de Moraes, casou, em 8 de janeiro de 1818, com Manoel de Santo Antonio Álvares Beserra, de Aracati.
Francisco da Rocha Bezerra, pai, aparece registrando algumas cartas patentes, nos anos de 1752 e 1753 do governo de Pedro de Albuquerque Mello, por impedimento do Secretário do Governo. No próximo artigo, continuaremos a escrever mais sobre os Rocha Bezerra.

Postado por João Felipe
Blog Hipotenusa

Nenhum comentário:

Postar um comentário