terça-feira, 30 de abril de 2013

REGISTRO FOTOGRÁFICO

Já no Vale do Açu, o nível da barragem Armando Ribeiro Gonçalves ainda é baixo.
Tão baixo que já fez aparecer ruínas do que antes foi a cidade de São Rafael, que foi inundada há 30 anos, quando a barragem foi construída, levando todos seus moradores para uma nova cidade, recém-construída.

Mas…caso a transposição do São Francisco seja realmente executada, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves nunca mais baixará seu nível, e o que restou da antiga São Rafael, nunca mais aparecerá..
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O registro é de Canindé Soares.

Aqui era a igreja. A torre, que sempre aparecia quando o nível da água baixava, caiu há cerca de 2 anos (Fotos: Canindé Soares)

Um vaso sanitário dos antigos, de cimento, que restou de uma casa destruída

Restos de uma cidade

Restos de uma cidade...

Vendo aqui os restos de São Rafael, a antiga, me lembrei de uma viagem de estudos que fiz na escola para a cidade de São Rafael, a antiga.
Faltava pouco tempo para todos os moradores serem transferidos para a cidade recém-construída.
Nessa época, parte da cidade já estava dentro d’água. Metade da igreja já estava inundada. A barragem Armando Ribeiro Gonçalves já estava começando a encher.
Nós fomos levados à beira da barragem, dentro de São Rafael…onde ainda havia gente morando.
A cerca de 30 metros da água, entrei em uma casa para ir ao banheiro.
E nunca mais me esqueci daquela cena: uma senhora muito triste porque estava a poucos dias de ver sua casa ser destruída.
Dali sairia para viver numa casa – tipo de conjunto – inóspita, feia, sem alma. Estava sendo obrigada, mas retardando o quanto podia, como quem queria aproveitar até o último momento aquele canto onde havia construído sua história, sua vida e de sua família.
A casa dela era linda. Estilo antigo. Bem cuidada, com vasos de flores, toalha xadrez na mesa…
Pelo tempo, aquela senhora já deve ter morrido. E deve ter morrido muito triste.

Postado por Thaisa Galvão. 

CULTURA

Orquestra de Sanfonas de Assú fará apresentação na terra de Luiz Gonzaga

Orquestra sanfônica fará viagem a Pernambuco Orquestra sanfônica fará viagem a Pernambuco
ASSÚ - A Orquestra de Sanfonas do município do Assú, que tradicionalmente está presente nas noites de quarta-feira em algum espaço público da cidade, de maneira itinerante levando o toque da sanfona, irá pegar a estrada no próximo mês. O grupo sanfoneiro desembarcará em Exu, interior de Pernambuco, terra em que nasceu e viveu a infância e parte da adolescência o renomado cantor/compositor Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião".

A Orquestra de Sanfonas do Assú, financiada pelos próprios componentes, teve início em novembro de 2012, com a proposta de despertar o surgimento de novos talentos e incentivar o gosto pela música e, principalmente, pelo referido instrumento que possui uma forte identificação com a cultura nordestina, conforme diz um dos integrantes do grupo, Gilmar Carlos Lopes, "Gilmar do Acordeom".

Ele informou que nesta viagem ao município pernambucano de Exu será feita uma apresentação, dentre outras, no "Mausoléu do Gonzagão", onde estão localizados os túmulos de Luiz Gonzaga, Dona Helena (sua primeira mulher) e Januário (pai). "Gilmar do Acordeom" frisou que o repertório da Orquestra é bastante eclético, misturando Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Zé Ramalho e demais artistas nordestinos e brasileiros.

ITINERÁRIO 

Em Assú, o grupo já se apresentou na área de embarque e desembarque do Terminal Rodoviário Petronilo Varela da Silva, no conjunto residencial Irmã Lindalva, praça José de Arimatéia de Souza, praça João Leônidas de Medeiros, praça São João e outros logradouros, além de fazer parte das agendas socioculturais das festas de São Sebastião, padroeiro dos católicos da comunidade do bairro Bela Vista e na festa da beata assuense Irmã Lindalva, em janeiro último.

Postado por Aluízio Lacerda. 
Fonte: O Mossoroense.

ESTRADAS NO ASSU

Parlamentar comemora inclusão de obras em ações do Proinveste

George Soares
O Diário Oficial do Estado teve uma edição extraordinária no domingo (28).
Neste exemplar que ocorreu a publicação da Lei nº 9.686 que autoriza o Estado, através do Governo, a contratar operação de crédito com o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O crédito contratado é até o valor de R$ 614.525.000,00 no âmbito do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e do Distrito Federal (Proinveste).
Dentre os empreendimentos que serão financiados com estes recursos, principalmente no âmbito de investimentos rodoviários, constam a pavimentação asfáltica da RN-016 até a comunidade rural de Porto Piató (orçamento de R$ 2,7 milhões), e o asfaltamento da BR-304 até a localidade rural de Malhada da Areia, onde será construído o Santuário de Irmã Lindalva (orçado em R$ 5,5 milhões), ambos em Assú.
Quem está comemorando a inclusão dos dois investimentos no plano de ação do Governo do Estado neste megafinanciamento é o deputado estadual George Soares (PR).
Nas negociações com o Governo do Estado, quando a questão foi levada à deliberação da Assembleia Legislativa, o parlamentar estabeleceu como condição para votar favorável à matéria a inserção das referidas obras que há tempos são pleiteadas pelo fato de serem vistas como essenciais para que se consolide o turismo religioso na cidade e região.
 
Postado por: Pauta Aberta

HUMOR

Charge do dia: a alegria da chuva

Fonte: Sorriso Pensante

segunda-feira, 29 de abril de 2013

CIDADÃO FOLCLÓRICO

O “SEU LUNGA” QUE O MUNDO CONHECE
O cidadão Joaquim dos Santos Rodrigues, mais conhecido como "Seu Lunga", nasceu em no dia 18 de agosto de 1927 em Juazeiro do Norte. Atualmente reside em sua terra berço onde comercializa sucatas. A “Seu Lunga” são atribuídas diversas piadas sobre seu temperamento, criando um personagem do folclore nordestino.
“Seu Lunga” é conhecido pela falta de paciência nas respostas. Diversos contos, de autenticidade não comprovada sobre seu mau humor circulam nas redes sociais da Internet.
Em sua sucata, localizada no centro de Juazeiro do Norte (próximo ao Mercado Central), “Seu Lunga” vende de tudo, desde aparelhos de televisão a frutas. Recebeu o apelido de uma senhora, que era vizinha, e passou a chamá-lo de Calunga, que mais adiante se reduziu para “Lunga”.
É considerado pela população de Juazeiro do Norte, município do Ceará, como uma lenda viva.
Não gosta de ser chamado de ignorante, pois afirma que ignorante é quem não tem educação. Gosta de ser reconhecido pelos versos e poesias, feitos por si próprio.
Com o advindo das redes sociais, a popularidade de “Seu Lunga” explodiu nos últimos anos com sites que lembram as suas clássicas frases, e até com comunidades exclusivas dedicadas a figura do celebre cearense.

O "SEU LUNGA" QUE CONHECI

Ao chegarmos a seu comércio, na tentativa de “quebrar o gelo”, fui logo perguntando:
- O senhor é “Seu Lunga”?
Ele sem me olhar respondeu:
- Eu não disse nada, você é que tá dizendo!...
Como já esperávamos uma resposta satírica, disparamos em gargalhadas.
A partir daí começamos a conversar e pude observar que “Seu Lunga”, na verdade, é um sujeito inteligente, formador de opiniões...  Um cidadão que recebe diariamente pessoas amigas para baterem papos na calçada do seu comércio. Política, cultura, religião, comércio, sociedade... São assuntos de pauta.
Com a chegada de minha filha Natália ele já foi recitando uma poesia sobre o ardor da juventude. Depois recitou poemas de sua autoria e de outros poetas nordestinos. Perguntou de onde éramos... Disse conhecer a região do Vale do Assu e, como não poderia ser diferente, conhecia a fama dos poemas do mestre Renato Caldas.
Foram poucos minutos até que chegou uma turma de jovens de Maceió que veio a Juazeiro visitar duas figuras cearenses: Padre Cícero e “Seu Lunga”. Já chegaram fazendo a maior “festa” e fotografando.
Como éramos mais comportados, nos despedimos de “Seu Lunga” e saímos em direção ao Mercado Central.
Horas depois, quando retornei ao estacionamento (na lateral do prédio de “Seu Lunga”), enquanto aguardava o restante da turma, logicamente as mulheres, me escorei na parede de seu comércio e fiquei a observar “Seu Lunga” conversando, animadamente, com dois amigos da cidade, sentados em tamboretes de madeira. Os cidadãos de cabelos brancos, aspectos de intelectuais, trocavam opiniões sobre a política em nível nacional.
Saí de Juazeiro com a certeza de que Joaquim dos Santos Rodrigues - “Seu Lunga” é um cidadão trabalhador e respeitador. Gosta de poesia e arte. Montou em seu comércio, sem a menor intenção (acredito), um museu contemporâneo, graças aos produtos lá existentes, há anos, superados pela tecnologia.
Portanto, quem gosta de cultura, ao visitar Juazeiro do Norte/CE, não perca a oportunidade de trocar “dois dedos de prosa” com “Seu Lunga” – O poeta de pavio curto. 

Seu Lunga e Natália - observando, ao fundo, Ivan Pinheiro Filho
Seu Lunga, Ivan Filho, Margares Barros, Ceiça Barbosa,
Terezinha Roberta, Natália e Ivan Pinheiro.
(Juazeiro do Norte/CE - março de 2009)

COLEÇÃO MOSSOROENSE

O Criador: A Saga de um “Livrofílico”
Mossoró, interior do Rio Grande do Norte. Em uma quente madrugada, pisando com decisão os paralelepípedos antigos, um homem que beira os 80 anos caminha insone. O velho senhor acima do peso, com cabelos brancos rareados, veste uma camisa de botão, um par de bermudas e usa óculos. Os olhos cansados revelam que esteve trabalhando até tarde. Aproxima-se de uma pequena casa e procura a campainha. Uma hora da manhã. Ele toca. Espera. Toca. Espera. Insiste e toca mais uma vez, até que alguém aparece. “Mas o que é, a essa hora?”, a voz sonolenta e raivosa responde. “O senhor prometeu que o livro estaria pronto, eu vim pegar”, diz o velho cavalheiro, com uma educação e uma paciência de causar inveja a um lorde inglês. O dono da casa, sem jeito, mal acredita no que está acontecendo. “A gráfica já fechou há horas!” – protesta. O velho não perde as esperanças. “Antes de ontem, o senhor me disse que o livro estaria pronto na manhã de hoje. Passei aqui e me disse que à tarde o entregaria. Tornei a voltar e me pediu que eu só voltasse à 1 hora da manhã. Pois bem, é 1 da manhã. Aqui estou.”

O velho se chama Jerônimo Vingt-un Rosado Maia, legítimo numerado, filho do patriarca Jerônimo Rosado e de Isaura Rosado Maia. Nasceu em 25 de setembro de 1920, na rua 30 de Setembro, em Mossoró, a 300 quilômetros de Natal. Desde cedo, guarda uma característica comum entre os homens de sua família: a persistência. Tudo o que quer, ele luta para conseguir. Foi assim que passou de casa em casa, através das ruas de Mossoró, pedindo livros para a biblioteca municipal. Foi com a mesma perseverança que obrigou seu irmão Vingt Rosado, então prefeito da cidade, a convidar o célebre historiador Luís da Câmara Cascudo para organizar e escrever a primeira história oficial da cidade. Foi com grande teimosia, e carregando nas costas imensos sacos de areia para o trabalho ir mais rápido, que ele fundou, no fim dos anos 1960, a Escola de Agronomia de Mossoró (Esam), de que foi, por duas vezes, diretor. Graças à “livrofilia”, doença de que padeceu desde cedo, tornou-se um incansável editor de livros. Bastava saber que alguém queria publicar algo, lá estava ele, às ordens. Mesmo se o autor não tivesse dinheiro. Mesmo se fosse um escritor jovem e desconhecido. Mesmo se o tema do livro fosse um cavalo. O mal da “livrofilia” o transformou no criador da maior editora não comercial do país: a Coleção Mossoroense.

Homem Público

Caçula de uma família que domina a política de Mossoró, Vingt-un sempre foi um homem público das letras. Foi um político, sim, ocupou cargos como a presidência do Instituto do Sal (Inda) ou a diretoria da Esam. Foi como político, também, que travou muitas batalhas em prol da cultura e da economia mossoroense. A política partidária não era o seu forte. Limitava-se, em geral, a atuar nas campanhas políticas dos irmãos e a funcionar como conciliador nas brigas familiares. Em troca, sempre recebia apoio político para os seus planos. Por uma única vez, foi candidato a prefeito pela UDN, partido do irmão Vingt Rosado. Perdeu as eleições para Antônio Rodrigues de Carvalho, candidato do MDB, apoiado por Alu[izio Alves – o maior fenômeno político do Rio Grande do Norte –, por apenas 96 votos. 

Os sintomas da paixão pelos livros surgiram cedo. Aos 13 anos, Vingt-un foi eleito bibliotecário da Biblioteca Estevão Dantas, do colégio Santa Luzia. Três anos depois, ao ouvir uma conferência de Câmara Cascudo, que visitava Mossoró, a paixão se tornou uma obsessão. Poucos anos depois, publicou o primeiro dos 511 títulos que viria a lançar. Reprovado, por três vezes consecutivas, em vestibulares de Mossoró, formou-se, enfim, agrônomo na Escola de Agronomia de Lavras, em Minas Gerais. Lá conheceu Oswaldo Lamartine, outro intelectual rio-grandense-do-norte, de quem se tornaria amigo. Nos tempos de Lavras, raspou o cabelo e deixou crescer a barba. Os colegas o apelidaram de “cara ingrata”. Tornou-se amigo pessoal, até, do diretor da escola. Eram tão íntimos que se chamavam de “burrão”.

Cordialidade

Abdicava das noitadas para ajudar os amigos com dificuldades nos estudos. Foi essa cordialidade que, em meados de 1944, atraiu a bela mineira de olhos azuis com quem viria a se casar e com quem viveu o resto de seus dias. América Rosado interessou-se por Vingt-un quando o viu ajudar nos estudos uma de suas amigas, que ele nem sequer conhecia. O namoro evoluiu e rendeu, três anos depois, a prisão do soldado padioleiro 494 – que fugia do quartel para fazer a corte da jovem América. Por culpa dessas fugas de apaixonado, chegou a ficar 15 dias preso. Aproveitou a ociosidade da cela para estudar a obra do geólogo John Casper Brenner, estudioso americano fortemente ligado ao Brasil, que defendia a tese de que podia haver petróleo em Mossoró. Em bom “nordestinês”: Vingt-un não tirou mais essa ideia do quengo. E estava certo.

Cordial, amoroso, alegre, mas insistente, quando colocava uma coisa na cabeça, ninguém tirava. Seu segundo filho, Dix-Sept Sobrinho, se lembra das noites que o pai passou em claro lutando para despertar seu interesse pela matemática. Sua influência benéfica se disseminou pela família. O sobrinho Cid Augusto Rosado, por exemplo, tomou gosto pela leitura por causa do tio. “Aos 15 anos, ele me deu 15 livros de presente. Com medo dele, li todos e aí não parei mais.” Anos mais tarde, Vingt-un colocou na cabeça que o sobrinho devia se tornar conselheiro da Fundação José Augusto, órgão responsável pela política cultural do estado. Só havia um problema: Cid não queria ser conselheiro! Nem esse obstáculo levou Vingt-un a desistir da ideia  Sem que o sobrinho soubesse, o inscreveu como candidato ao cargo, fez sua campanha e conseguiu elegê-lo. Só depois do resultado, telefonou para Cid e deu a notícia. Tão teimoso quanto o tio, Cid respondeu que não iria assumir o cargo. E não assumiu. Pela primeira vez na história do Rio Grande do Norte, a governadora Wilma de Faria se viu obrigada a não empossar um conselheiro eleito da fundação.

Persistência

Sua persistência era tão grande quanto sua ingenuidade. Levou muitos chás de cadeira, de ministros e de secretários de Cultura. A espera inútil o frustrava. Nem todos viam a cultura como ele, nem todos estavam interessados na difusão do conhecimento, nem todos eram “livrofílicos”. Mas Vingt-un, teimoso, não percebia isso. Triste porque quase ninguém freqüentava os lançamentos de seus livros, perguntava-se por que os acadêmicos da cidade não davam importância à cultura. Não conseguia entender que, diferentemente do que pensava, o mundo não se limitava à literatura. Por causa dessa fé, apadrinhava os funcionários da coleção, levava-os a trabalhar até altas horas da noite, lhes pagava sempre que podia e os ajudava em seus problemas pessoais. Mas nunca se preocupou com os direitos trabalhistas, com questões financeiras, com carga horária, com coisas efêmeras. Por causa disso, ainda hoje a coleção sofre com processos judiciais. E amarga, também, uma crônica falta de dinheiro.

Louco pela cultura, Vingt-un publicava tudo o que via e podia. Mais velho, quando a coleção passou para as mãos da Fundação Vingt-un Rosado, os sintomas da “livrofilia” se tornaram ainda mais intensos. Fez muitas dívidas com agiotas só para publicar livros de autores que nada vendiam. Participava de todos os lançamentos da editora e, loucura das loucuras, fazia questão de comprar os livros que ele mesmo publicava. Vingt-un dizia que era preciso incentivar os escritores. Incentivar a cultura em geral. Por isso também, era quase sempre visto na primeira fila dos eventos culturais da cidade. Sua loucura o levou a trabalhar 24 horas por dia. Não admitia que a coleção ficasse um só dia sem cuidar de um lançamento. Quando adoeceu gravemente e foi internado, os funcionários o apelidaram de “Fernandinho Beira-Mar”, porque, da UTI, continuava a comandar a casa.

Sentimental

O “livrofílico” era um sentimental que, estirado em sua rede, gostava de ouvir música clássica enquanto lia. Todas as gerações o interessavam: chorava nos enterros, mas também trocava cartas com os netos pequenos. Quando lia os versinhos que alguns netos escreviam, emocionava-se e tratava de publicá-los. Colecionava recortes de jornal com notícias sobre a família. Guardava-os junto com suas anotações pessoais, sempre em letras ilegíveis. Não raro, pedia ajuda a um amigo para traduzir o que ele mesmo escrevera. Seu descanso era viajar para a praia de Tibau com América e os filhos. Muitas vezes, não suportava o descanso e, às pressas, voltava a Mossoró para trabalhar. Os filhos até hoje se lembram, com carinho, de seu célebre banho das 17 horas. Um dos poucos momentos em que ele deixava tudo de lado.

Era pontual e não tolerava atrasos. A não ser da “velha”, como chamava carinhosamente dona América Rosado. Só ela podia se atrasar antes de saírem. Todas as manhãs, antes de sair de casa, beijava-a. Foram sempre namorados. Gostava de dizer que sua mulher era “a mais bonita da festa, de Mossoró, do Rio Grande do Norte e do planeta”. Não se preocupava com as roupas, e América fazia grande esforço para deixá-lo elegante. Teimoso, gostava muito de comer e sempre ia à cozinha roubar comidas que, por causa de sua doença cardíaca, estavam proibidas. Diz-se na família que, nas festas e nos eventos da cidade, ele se sentava sempre na primeira fila não para ouvir melhor, mas para ser o primeiro a pegar os salgadinhos.

Dor

Um de seus maiores sofrimentos aconteceu quando, nos anos 1970, seus irmãos Dix-Huit e Vingt Rosado romperam relações. Cada um foi para um lado, para um partido político. Vingt-un teve de escolher com quem ficaria e preferiu Vingt. O rompimento foi doloroso. Mais tarde, teve de enfrentar um processo judicial movido por Mário Rosado, um dos filhos de Dix-Huit, envolvendo litígios em uma empresa da família. Depois da perda do irmão Dix-Sept, esse processo e o desgaste familiar que a ele se seguiu foram as maiores tristeza de sua vida. Sofreu muito também com dores físicas provenientes do agravamento de sua doença cardíaca. Foram 15 anos vivendo entre o hospital e a coleção. Ele sentia muita dor.

Nunca foi de fazer pedidos, preferia resolver tudo por si mesmo. Nem esperava dos filhos o que não poderiam dar. Afinal, o “livrofílico” era ele. Antes de morrer, o último dos numerados manifestou um último desejo, romântico, literário, que não chegou a realizar: dançar uma valsa de despedida com dona América.

ITAÚ CULTURAL 
Texto: Fábio Farias
Fotos: José Gabriel Lindoso Webmaster: Fábio Mattos.

ASSU


Nos próximos 7 meses a prefeitura do Assú tenciona gastar, no minimo, 80 mil reais com assessoria de imprensa terceirizada, e para tanto já tornou público o edital para contratação de tal assessoria.

Segundo o Edital, o objetivo da prefeitura do Assú em gastar toda esta dinheirama com publicidade, deve-se ao fato da mesma 'necessitar' "de otimizar o direito a informação da população dos atos, programa, obras e serviços da Prefeitura do Assú". Traduzindo, o mundo precisa saber o que Vossa Excelência o prefeito do Assú anda a fazer. E... beeemm, ultimamente ele anda a viajar fantasiado na função de 'embaixador do Vale'. E o pior que a embaixada não existe!!

A propósito, alguns blogueiros, radialistas (ou familiares indicados por eles) estão legalmente inseridos na folha de pagamento da prefeitura do Assú. Ademais, a prefeitura do Assú celebrou contrato, devidamente assinado com dispensa de licitação e tudo, com a única rádio AM da cidade para divulgar seus feitos, bem como possui uma assessoria de imprensa devidamente posta em seu organograma (com direito a auxiliares e tudo mais). Entonce, onde está o nó do problema? Será que toda esta rede de informações não é suficiente para dizer ao mundo o que Vossa Excelência o prefeito do Assú anda a fazer?

Huuumm, vai ver que a contratação, razão da tomada de preço em andamento, tem a função de otimizar tal informação, de forma unificada, homogênea ou coisa assemelhada. Faz sentido!!

Ahh, os interessados em divulgar os feitos de Vossa Excelência, o prefeito do Assú tem até o próximo de 07 para pegar edital e habilitar-se à função, dirigindo-se à Rua Ver José Bezerra de Sá, 588 – Bairro Bela Vista.

Por: Ana Valquíria