terça-feira, 27 de outubro de 2020

POESIA

A FEIRA
Feira de Louças de barro - anos 70, no Assu 
Feira Livre no Assu - foto Jean Lopes

É sábado, amanhece o dia
Chegam primeiro os feirantes
Loroteiros, arrogantes
Arrumam as mercadorias.
Mais tarde vem os feireiros
Sempre em grupos separados
Ainda desconfiados
Com as sacolas vazias.

Grita logo um barraqueiro:
“- Olha aqui feijão novinho
Tem enxofre e mulatinho
Tem o preto e o macaça
Esse amarelinho é bom
O pintado é um azeite
Se quer levar aproveite
Que hoje é quase de graça”.

Muitos trazem pra vender
Couro de bode, algodão,
Batata, milho verde e feijão,
Porco, carneiro e peru,
Depois que terminam as vendas
Se reúnem, vão beber,
As mulheres vão comer
Pé-de-moleque e angu.

Entra um rebanho no bar,
Lá já tem outra patota,
Ali começa a lorota
Pois o prazer é profundo.
Tomam a primeira dosagem
Logo após, outra bicada,
Com a terceira rodada,
Haja mentira no mundo.

Diz um, nunca me faltou
Dinheiro pra brincar
Quando eu quero vadiar
Boto a sela no jumento.
Responde outro, melado
Eu juro no evangelho
Que no meu cavalo velho
Derrubo até pensamento.

Grita um mais exaltado
Comigo não tem ladeira
Eu topo toda zonzeira
Toda brincadeira é festa.
Grita outro, eu também sou
Osso duro de roer
Quem quiser venha saber
Um velho pra quanto presta.

A coisa está esquentando
Vai acabar o zum-zum
Chega a mulher de um
Do outro chega a esposa
Com pouco o filho do outro
Chega pra dar o recado
“- Mamãe está no mercado
Vamos comprar qualquer coisa".

O vendedor de galinha
Fala alto, “aqui freguês
Essa galinha pedrês
É pesada de gordura,
Esse pescoço pelado
É boa pra criar,
Eu garanto ela botar
Cem ovos numa postura.

Um galo velho surú
Pra cantar não tem mais som
O vendedor diz “É bom!
Pode levar que é novinho.
Esse galo, meu amigo,
Ainda tem outra coisa
Tem dado surra em raposa
Que ela perde o caminho.

“- Olha a ovelhinha gorda!”
Gritam lá na criação
Grita o do porco “O leitão
É novinho, cavalheiro”!
O velho que está melado
Não presta muita atenção,
No porco compra barrão;
No bode, pai de chiqueiro.

Na carne de gado mostram
Uma manta do pescoço
“- Aqui é carne sem osso,
Compra boa, quem conhece!”
A carne velha encardida
Como que foi de murrinha
Na panela não cozinha
Na brasa não amolece.

Aquele que se entreteu
Na birita o dia inteiro
Acabou todo o dinheiro
Passou o tempo e não viu
Ficou sem nenhum tostão
No bolso da velha calça
O que sobrou da cachaça
O pife-pafe engoliu.

Arranja uma confusão
Quase ao morrer do dia
Vai para a delegacia
Para um repouso forçado
Coitado, caiu à crista.
De manhã faz a faxina
Inda vai dar entrevista
Com o doutor delegado.

Chico Traíra

Autor: Francisco Agripino de Alcaniz, o popular Chico Traíra – grande poeta e violeiro. Assuense de coração, nascido no sítio Pau de Jucá – Ipanguaçu/RN. Em Assu existe uma rua, no Bairro Frutilândia, que tem Chico Traíra como patrono, assim como uma das cadeiras da Academia Assuense de Letras. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

ASSU

 SÍMBOLO OFICIAL

HINO DO ASSU
Sinhazinha Wanderley
Lei municipal nº 06/69 – de 11 de outubro de 1969
Letra e música da poetisa e musicóloga assuense
MARIA CAROLINA WANDERLEY CALDAS 
(SINHAZINHA WANDERLEY).

            Qual um canto harmonioso
            Das aves, pelo ramado
            A minh’alma te festeja
            Meu Assu, idolatrado.

            Estribilho

            Torrão bendito hei de amar-te
            Dentro do meu coração
            Salve, Assu estremecido,
            Salve, salve ó meu sertão

            Palmeiral da minha terra
            As várzeas cobrindo estás
            Tu que és útil pelo inverno
            E pela seca ainda mais

            Valoroso, florescente,
            Em face dos mais sertões
            Hão de erguer-te o nosso esforço
            Nossos bravos corações.

Fonte: Lei Municipal. Assu - Notas Cronológicas - Inédito - Ivan Pinheiro.

ASSU

SÍMBOLO OFICIAL


BRASÃO DO MUNICÍPIO DO ASSU

        O brasão do  município do Assu foi criado através da Lei Municipal nº 06/69 - de 10 de outubro de 1969. 
- Artigo 5º - "O Escudo poderá ser usado em documentos e papéis, como distintivo característico do Município do Assu".
Fonte: Lei Municipal. Assu - Notas Cronológicas - Inédito - Ivan Pinheiro. 

ASSU

SÍMBOLO OFICIAL

BANDEIRA DO ASSU
Lei Municipal nº 06/69 de 10 de outubro de 1969. 
Instituiu nos seus artigos 1º e 2º, como símbolo municipal, para uso em todo o território do Município, a Bandeira do Assu - constituída de um retângulo com as cores verde e branca, caracterizando a exuberância da terra e a paz nela reinante, tendo ao centro um escudo amarelo, em forma de “U”, que na sua cor, simboliza a riqueza e, na sua forma, a união, e neste a coluna histórica da passagem do século (XIX/XX), ladeada por duas carnaubeiras, palmeiras típicas da região, encimada por uma faixa de cor azul, representativa do céu, com a data histórica de 16.10.1845, tendo acima desta uma estrela (maior luz do Vale), de cor branca, significativa do nascimento do Assu cidade, e, sob a base da coluna, as cores características da água, representando o rio Piranhas/Assu e o principal lago do município a Lagoa do Piató.
Assinou a referida Lei o senhor Prefeito João Batista Lacerda Montenegro e o Secretário de Administração senhor Sebastião Pinheiro de Oliveira. O desenho da Bandeira e a descrição, bem como o Brasão, foram criados pelo advogado provisionado senhor João Marcolino de Vasconcelos - o popular "Dr. Lô".
Fonte: Lei Municipal. Assu - Notas Cronológicas - Inédito - Ivan Pinheiro. 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

CAUSO ASSUENSE:

 AUTO ESCOLA

Saia... Literalmente

J
OSIAS Calixto andava muito pela oficina de Enock Cachina em Assu. Certa vez inventou de aprender a dirigir. Enock tentou fazer os primeiros testes no "motorista". Mandou Josias entrar no veículo e começou as instruções:
- Josias, tire o carro de marcha - Josias empolgado mexeu na marcha e colocou em "ponto morto" - Agora, pegue a chave, coloque na ignição e ligue.
            O carro funcionando deixou Josias empolgado. Enock continuou:
 - Agora saia...
 Josias, chateado, naturalmente, abriu a porta do carro e saiu... Literalmente.

TROVA ASSUENSE:

POBREZA
PObreza, mísera peça,
Soluços, prantos, ruína;
Té a palavra começa,
Por onde tudo termina.

Autor: Poeta assuense Luís de Macedo Filho

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

REMINISCÊNCIAS:

 João Lins Caldas e sua Marcha Fúnebre

Corpo do poeta João Lins Caldas no seu caixão, sendo velado na casa do seu primo e amigo Luiz Lucas Lins Caldas Neto (avô paterno do editor deste blog - Fernando Caldas), cidade de Assu/RN, 1967. Na fotografia da esquerda: Domitília Eliete de Medeiros, João Crisóstomo Tavares (?), (?), Ivo Pinheiro, Tibobô, Fernando Caldas (criança), (?), Luiz Roberto (Luiz da Carroça), Mário Tavares Dantas, (?), (?), Levi de Oliveira Gomes, dentre outros admiradores do grande poeta Caldas. 

Vamos conferir o seu poema fúnebre intitulado Marcha Fúnebre:

Os cem mil padres do meu negro enterro
Vão agora passar, círios às mãos.
Os cem mil padres, os cem mil irmãos...
Nasci... dou-me por pago do meu erro
Já que dá morte é que me vem o enterro...
Nasci... dou-me por pago do meu erro.

Noite... e dentro da minha solidão...
A solidão é um pássaro da noite...
Quem não te busca, pálido tresnoite,
Alma fria da noite, pelo chão...?
Amo a noite do amor, amo esse açoite,
Os círio rezam morte no clarão...

Vejo o olhar dos mortos pela treva,
Lá passa, vai adiante, o meu caixão...
Quem passa assim, quem com tal força leva
Meu esquife pesado, cor de treva,
Meu caixão,
Quem leva, quem leva?...
Vai meu corpo levado cor de treva...

Vejo os claros da morte pelo chão...
Tudo planeja o negro, a solidão.
Meu corpo, vai-se ver, não se vê fundo...
Entrarei pela terra, cor de terra...
Terra aqui, terra ali, terra... desterra,
A minha boca aterra...

Olhando a morte, quero ver o mundo...
Achar a solidão, quero ver fundo...
Solidão, solidão...
O som de um sino e a voz de um cão...
Meia noite... Solidão...

Agora os quero, do meu enterro,
Todos os padres, de volta irmãos...
Frontes curvadas, círios às mãos,
Hoje de volta do meu enterro...

Todos os padres, para o meu erro,
Hoje de volta são meus irmãos,
Os cem mil padres do meu negro enterro.

Postado por Fernando Caldas