terça-feira, 22 de dezembro de 2020

HOMENAGEM:

Maria Olímpia e João Celso Neto
Nascida aos 18 de dezembro de 1920, Maria Olímpia Neves de Oliveira (mais conhecida como Maroquinhas ou Olímpia) saiu de sua cidade natal ainda bem criança, quando seu pai faleceu, em 1923. Sua mãe, paraibana, foi com os dois filhos viver sob a proteção de um irmão, padre, tenho morado em várias cidades paraibanas onde seu “Tio Padre” fosse ser pároco. O sobrinho virou coroinha. Cerca de dez ou doze anos depois, o Padre Jose Neves de Sá transferiu-se para o Rio de Janeiro e entendeu que no então Distrito Federal poderia não ter condições de manter os três. Como consequência, os três voltaram a morar no Açu-RN.
Seu irmão, meu pai, concluíra seus estudos ginasianos interno na capital pernambucana enquanto ela iniciaria o Curso Normal na Escola N. Sra. das Vitórias (o popular “colégio das freiras”), talvez em uma das suas primeiras turmas. Destacava-se em várias atividades da vida social e cultural e demostrou ser excelente professora no Grupo Escolar Tenente-Coronel José Correia, que iria dirigir muitos anos depois.
A política entrou em sua vida, inicialmente, dada sua atuação junto ao então Prefeito Manoelzinho Montenegro. Cerca de quinze anos depois, tendo voltado (pela segunda vez) a residir onde nascera, por haver passado a viver com Arcelino Costa Leitão e este ser ligado ao PSD e capitanear as campanhas dos candidatos do partido, como João Câmara (foi Senador) e José Arnaud (Deputado Federal, genro do senador) em diversas eleições. Inevitavelmente, ela passou a ter importante participação naquela tarefa. Em 1958, Costa foi eleito Prefeito e ela, logo depois, Vereadora.
Maroquinhas, ou “a Onça”, foi eleita para suceder Costa Leitão, e seu mandato foi estendido para seis anos por decisão do governo federal, ao adiar as eleições marcadas para 1965 e que só foram realizadas em 1966. Foi a primeira mulher a se eleger Prefeita do município e suas reconhecidas qualidades fizeram com que ela fosse frequentemente chamada para participar de comícios em outras cidades do estado. Ao encerrar seu mandato, as circunstâncias da vida levaram-na para morar no Rio de Janeiro, onde foi nomeada para o Incra (então Inda), até ser aposentada do serviço público federal compulsoriamente no dia em que completou 70 anos de vida, deixando para trás um legado de exemplos e competência.
Permaneceu lúcida, respeitada e querida por muitos anos mais até que, como disse Bandeira, a “indesejada das gentes” veio busca-la na exata data de seu aniversário de 98 anos, em Brasília para onde o Incra a transferira em 1982.
Sua vontade expressa foi atendida quanto a ser sepultada no Açu, sendo velada na Câmara Municipal e com direito a uma missa de corpo presente na Matriz de São João Batista em que fora batizada.
Evidentemente, na atividade política, teve adversários que venceu e que a venceram nas urnas, contudo soube ter o mérito cristão de não guardar mágoas e, pelo contrário, buscar a reconciliação com todos eles enquanto estavam “a caminho”.
Pessoas como Maria Olímpia deixam sua marca indelével e, assim, se tornam inesquecíveis.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

ECONOMIA:

Foto: Daniel Herrera

A hidrelétrica Armando Ribeiro, localizada na barragem homônima do município Itajá, na Região de Assu, entrou em fase de testes na tarde dessa segunda-feira (14) após ser energizada pela Companhia Energética do RN (COSERN). Com capacidade para gerar 4,7 megawatts, esta é a primeira usina hidrelétrica instalada no estado.

O coordenador de desenvolvimento energético Hugo Fonseca e a analista de dados Emília Casanova, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (SEDEC), estiveram presentes durante o procedimento, quando 25% da capacidade da Usina foi ativada. Os representantes do Estado foram acompanhados pelo engenheiro Nivaldo, responsável pela operação e manutenção do novo equipamento.

O trabalho dos técnicos da SEDEC foi essencial para destravar e viabilizar o processo de ligação com uma subestação da COSERN também em Itajá. “Sem o trabalho de intermediação da equipe da Sedec, nós não estaríamos aqui hoje comemorando essa energização”, comentou o engenheiro Nivaldo em nome da empresa Rodrigo Pedroso, que construiu a usina. A construtora e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) investiram R$ 15 milhões através de uma Parceria Público-Privada (PPP).
FONTE: ASSECOM/RN.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

POESIA

A FEIRA
Feira de Louças de barro - anos 70, no Assu 
Feira Livre no Assu - foto Jean Lopes

É sábado, amanhece o dia
Chegam primeiro os feirantes
Loroteiros, arrogantes
Arrumam as mercadorias.
Mais tarde vem os feireiros
Sempre em grupos separados
Ainda desconfiados
Com as sacolas vazias.

Grita logo um barraqueiro:
“- Olha aqui feijão novinho
Tem enxofre e mulatinho
Tem o preto e o macaça
Esse amarelinho é bom
O pintado é um azeite
Se quer levar aproveite
Que hoje é quase de graça”.

Muitos trazem pra vender
Couro de bode, algodão,
Batata, milho verde e feijão,
Porco, carneiro e peru,
Depois que terminam as vendas
Se reúnem, vão beber,
As mulheres vão comer
Pé-de-moleque e angu.

Entra um rebanho no bar,
Lá já tem outra patota,
Ali começa a lorota
Pois o prazer é profundo.
Tomam a primeira dosagem
Logo após, outra bicada,
Com a terceira rodada,
Haja mentira no mundo.

Diz um, nunca me faltou
Dinheiro pra brincar
Quando eu quero vadiar
Boto a sela no jumento.
Responde outro, melado
Eu juro no evangelho
Que no meu cavalo velho
Derrubo até pensamento.

Grita um mais exaltado
Comigo não tem ladeira
Eu topo toda zonzeira
Toda brincadeira é festa.
Grita outro, eu também sou
Osso duro de roer
Quem quiser venha saber
Um velho pra quanto presta.

A coisa está esquentando
Vai acabar o zum-zum
Chega a mulher de um
Do outro chega a esposa
Com pouco o filho do outro
Chega pra dar o recado
“- Mamãe está no mercado
Vamos comprar qualquer coisa".

O vendedor de galinha
Fala alto, “aqui freguês
Essa galinha pedrês
É pesada de gordura,
Esse pescoço pelado
É boa pra criar,
Eu garanto ela botar
Cem ovos numa postura.

Um galo velho surú
Pra cantar não tem mais som
O vendedor diz “É bom!
Pode levar que é novinho.
Esse galo, meu amigo,
Ainda tem outra coisa
Tem dado surra em raposa
Que ela perde o caminho.

“- Olha a ovelhinha gorda!”
Gritam lá na criação
Grita o do porco “O leitão
É novinho, cavalheiro”!
O velho que está melado
Não presta muita atenção,
No porco compra barrão;
No bode, pai de chiqueiro.

Na carne de gado mostram
Uma manta do pescoço
“- Aqui é carne sem osso,
Compra boa, quem conhece!”
A carne velha encardida
Como que foi de murrinha
Na panela não cozinha
Na brasa não amolece.

Aquele que se entreteu
Na birita o dia inteiro
Acabou todo o dinheiro
Passou o tempo e não viu
Ficou sem nenhum tostão
No bolso da velha calça
O que sobrou da cachaça
O pife-pafe engoliu.

Arranja uma confusão
Quase ao morrer do dia
Vai para a delegacia
Para um repouso forçado
Coitado, caiu à crista.
De manhã faz a faxina
Inda vai dar entrevista
Com o doutor delegado.

Chico Traíra

Autor: Francisco Agripino de Alcaniz, o popular Chico Traíra – grande poeta e violeiro. Assuense de coração, nascido no sítio Pau de Jucá – Ipanguaçu/RN. Em Assu existe uma rua, no Bairro Frutilândia, que tem Chico Traíra como patrono, assim como uma das cadeiras da Academia Assuense de Letras. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

ASSU

 SÍMBOLO OFICIAL

HINO DO ASSU
Sinhazinha Wanderley
Lei municipal nº 06/69 – de 11 de outubro de 1969
Letra e música da poetisa e musicóloga assuense
MARIA CAROLINA WANDERLEY CALDAS 
(SINHAZINHA WANDERLEY).

            Qual um canto harmonioso
            Das aves, pelo ramado
            A minh’alma te festeja
            Meu Assu, idolatrado.

            Estribilho

            Torrão bendito hei de amar-te
            Dentro do meu coração
            Salve, Assu estremecido,
            Salve, salve ó meu sertão

            Palmeiral da minha terra
            As várzeas cobrindo estás
            Tu que és útil pelo inverno
            E pela seca ainda mais

            Valoroso, florescente,
            Em face dos mais sertões
            Hão de erguer-te o nosso esforço
            Nossos bravos corações.

Fonte: Lei Municipal. Assu - Notas Cronológicas - Inédito - Ivan Pinheiro.

ASSU

SÍMBOLO OFICIAL


BRASÃO DO MUNICÍPIO DO ASSU

        O brasão do  município do Assu foi criado através da Lei Municipal nº 06/69 - de 10 de outubro de 1969. 
- Artigo 5º - "O Escudo poderá ser usado em documentos e papéis, como distintivo característico do Município do Assu".
Fonte: Lei Municipal. Assu - Notas Cronológicas - Inédito - Ivan Pinheiro. 

ASSU

SÍMBOLO OFICIAL

BANDEIRA DO ASSU
Lei Municipal nº 06/69 de 10 de outubro de 1969. 
Instituiu nos seus artigos 1º e 2º, como símbolo municipal, para uso em todo o território do Município, a Bandeira do Assu - constituída de um retângulo com as cores verde e branca, caracterizando a exuberância da terra e a paz nela reinante, tendo ao centro um escudo amarelo, em forma de “U”, que na sua cor, simboliza a riqueza e, na sua forma, a união, e neste a coluna histórica da passagem do século (XIX/XX), ladeada por duas carnaubeiras, palmeiras típicas da região, encimada por uma faixa de cor azul, representativa do céu, com a data histórica de 16.10.1845, tendo acima desta uma estrela (maior luz do Vale), de cor branca, significativa do nascimento do Assu cidade, e, sob a base da coluna, as cores características da água, representando o rio Piranhas/Assu e o principal lago do município a Lagoa do Piató.
Assinou a referida Lei o senhor Prefeito João Batista Lacerda Montenegro e o Secretário de Administração senhor Sebastião Pinheiro de Oliveira. O desenho da Bandeira e a descrição, bem como o Brasão, foram criados pelo advogado provisionado senhor João Marcolino de Vasconcelos - o popular "Dr. Lô".
Fonte: Lei Municipal. Assu - Notas Cronológicas - Inédito - Ivan Pinheiro. 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

CAUSO ASSUENSE:

 AUTO ESCOLA

Saia... Literalmente

J
OSIAS Calixto andava muito pela oficina de Enock Cachina em Assu. Certa vez inventou de aprender a dirigir. Enock tentou fazer os primeiros testes no "motorista". Mandou Josias entrar no veículo e começou as instruções:
- Josias, tire o carro de marcha - Josias empolgado mexeu na marcha e colocou em "ponto morto" - Agora, pegue a chave, coloque na ignição e ligue.
            O carro funcionando deixou Josias empolgado. Enock continuou:
 - Agora saia...
 Josias, chateado, naturalmente, abriu a porta do carro e saiu... Literalmente.