sábado, 8 de agosto de 2015

ARTIGO*:

Cidade dos Reis, a literatura, o romance e a evolução de uma cidade

Atravesso o presente de olhos vendados,mal podendo pressentir aquilo que estou vivendo…Só mais tarde, quando a venda é retirada,percebo o que foi vivido e compreendo o sentido do que se passou…
Milan Kundera

Comentei, certa vez, em um ensaio literário que, assim como todas as artes, a literatura está vinculada à sociedade em que se origina, e não há escritor completamente alheio a sua realidade, ao seu chão, a sua cidade. Partindo de algumas experiências pessoais, cada escritor recria o real, dando origem a um fato ficcional, e através dele consegue transmitir suas ideias e emoções ao mundo. Desta maneira compreendemos a literatura como um objeto vivo, uma verdadeira relação eficaz do escritor com o seu meio. Explano o assunto após a leitura da obra “Cidade dos Reis”, do escritor Carlos de Souza, um romance pioneiro no Estado, em se tratando de contar a história de uma cidade.Com desenvoltura, o romancista narra alguns dos principais fatos e personagens da cidade do Natal, ao longo do século XX, utilizando como pano de fundo a história de Jonas Camarão, desde a sua infância e juventude, o encontro com a sua adorada Mara, a dor da perda, as lutas, vitorias e desilusões, até sua velhice, no final do milênio passado.Um leitor mais atento vai observar muito mais o relato de episódios reais do que propriamente ficção. Na verdade, o principal personagem é a própria cidade de Natal; outros ficam em segundo plano, tudo, contado por dois narradores, um dos quais, de nome Juca Guiné, uma espécie de Câmara Cascudo local, que conhece muitos fatos e figuras da cidade, inclusive com episódios curiosos, como a passagem de Clarice Lispector por Natal, episódio este, que a própria escritora iria descrever detalhando haver detestado a cidade. São alguns dos relatos que misturam muito bem ficção e realidade.Lendo essa obra me vem à mente a famosa frase de Tolstoi: “Canta tua aldeia e serás universal”. Pode até parece muito clichê, mas é com ela que reafirmo a importância de nos voltarmos para o que é da nossa terra. Já era hora de Natal ter o seu romance; várias outras cidades têm sua biografia romanceada. Cito, de memória, como exemplos: “São Jorge dos Ilhéus”, de Jorge Amado; “Terra de Caruaru”, de José Condé”; “A Noite sobre Alcântara”, de Josué Montello…Trabalhos dessa natureza cumprem uma função além do apenas literário.Segundo Antonio Candido, uma das funções da literatura está ligada à complexidade da sua natureza, e ela é uma construção de objetos autônomos com estrutura e significado, e é também uma forma de expressão e de conhecimento. A literatura tem uma função “formadora”, que lhe confere um caráter educativo. Acredito que a afirmação do eminente crítico aplica-se a trabalhos dessa natureza, que além de entreter, educam, instruem.Para Candido existem na literatura níveis de conhecimento intencionais, ou sejam, planejados pelo escritor e conscientemente assimilados pelo leitor. É nesses níveis que o autor injeta suas intenções, sejam ideológicas, de crença, etc. .( é notória em algumas passagens do romance “ Cidade dos Reis” a posição ideológica do autor). Ainda, segundo Candido, a literatura satisfaz à necessidade de conhecer os sentimentos e a sociedade, ajudando o leitor a tomar posição em face deles. Dessa forma destacam-se duas funções da literatura: a cognitiva, ou seja, de passar conhecimento, e a político-social, que é a que interfere no senso critico do leitor. Outro renomado crítico literário, José Guilherme Merquior, defendeu, certa vez, em um dos seus ensaios, nos anos 60, que o escritor deve colaborar na formação de uma sociedade, de modo cada vez mais crítico. Essa, uma das missões do artista. De acordo com Merquior, devemos compreender a arte como tendo também uma função cognitiva, e reconhecer o artista como um mediador de informações. De igual modo parece ter sido este o entendimento do escritor Carlos de Souza na construção de seu romance : uma obra que também ensina, forma.Em consonância com as ideias de Merquior, acredito que seja exatamente essa função da arte, especialmente, da literatura, que pode conferir ao escritor condições para tratar de assuntos sérios, relevantes, tornando-se assim um instrumento de transformação social. No presente caso, Carlos de Souza tratou de escrever o romance de uma cidade de forma séria, e, em linhas gerais, fidedigna, chegando ao ponto, como já disse, de deixar a obra com caráter quase não ficcional, tantos os relatos históricos nela inseridos.Evidente que alguns deslizes, os quais não vou me ater, por serem tão pequenos, não comprometem a riqueza e a importância de “Cidade dos Reis”. Importa sobretudo observarmos pontos fortes, como, por exemplo, a qualidade estética. Sabemos que a forma é o que propicia à obra sua natureza literária por excelência e lhe confere também uma feição poética. O livro de Carlos de Souza, está repleto de passagens poéticas, e foi minuciosamente organizado mediante a escolha dos elementos da linguagem, de maneira a constituir uma estrutura plena de significado, porém com facilidade para tocar qualquer leitor. Outro aspecto digno de nota: a universalidade de certos sentimentos, expressa na caracterização dos personagens, como por exemplo, o próprio relacionamento amoroso entre Jonas e Mara, a relação dele com os filhos, etc.Talvez, algumas lacunas sejam encontradas ao longo da narrativa, mas cabe ao leitor preenchê-las; há fragmentos que irão exigir redobrada atenção à leitura.Por fim, vale salientar que muitos natalenses não sabem sequer a história do seu bairro, quanto mais a de sua cidade, e – o que é pior- não sabem amá-la. Essas pessoas precisam, urgentemente, ler o livro de Carlos de Souza. Não somente elas, obviamente, mas todos quantos buscam o prazer e o proveito da literatura.

*Thiago Gonzaga é pesquisador, autor de “Presença do Negro na Literatura Potiguar” e outros livros.

EVENTO:

Para essa semana em que é comemorado o Dia dos Pais, uma boa opção de lazer em família é a Exposição de Fuscas que está sendo realizada até o próximo sábado (08) no Praia Shopping. 

Quatro veículos do acervo do Clube do Fusca RN, de diversos modelos e anos de fabricação, estão expostos no shopping onde o público poderá ter acesso a uma variedade de informações sobre esse tipo de carro. 

Para o sábado (08), está programado um show da banda The Bop Hounds, que apresentará um repertório com músicas de Rock e Roll e estilo Rockabilly. O show será na praça de alimentação e o acesso é gratuito.

Postado por ana valquiria
Foto: www.euamomeufusca.com.br 

CULTURA:

O poema “Peso”, de Cefas Carvalho Silva, de Parnamirim, foi o vencedor da décima edição do Prêmio Luís Carlos Guimarães, promovido pelo Governo do RN, por meio da Fundação José Augusto. O texto que ficou em segundo lugar foi “Preenchendo Vazios”, da curraisnovense Maria Marcela Freire. Em terceiro, também de Currais Novos, “Para as Tardes da Chuva”, de Paula Erica de Oliveira.

De acordo com o edital, outros 12 poemas seriam escolhidos para integrar a antologia que será publicada pela Gráfica Manimbu. Mas, devido a um empate, 15 foram selecionados para receber menção honrosa.

A Fundação José Augusto entrará em contato com cada um dos ganhadores para orientar como proceder.

O primeiro colocado receberá R$ 3.800; o segundo, R$ 2.800; e o terceiro, R$ 1.750, além de 50 exemplares de livro contendo seus textos. Ao todo, serão dezoito trabalhos selecionados para a publicação. Os demais recebem 25 exemplares.

A comissão julgadora foi composta por Lívio Alves Araújo de Oliveira (presidente), Erivaldo Leite de Lima, Maria Rizolete Fernandes, Aluízio Matias dos Santos e Carlos Roberto de Oliveira Gurgel.

Veja a lista dos ganhadores:

1°) “Peso”, Cefas de Carvalho Silva (Parnamirim)

2°) “Preenchendo Vazios”, Maria Marcela Freire (Currais Novos)

3°) “Para as Tardes da Chuva”, Paula Erica Batista de Oliveira (Currais Novos)

Menções honrosas:

“De novo Jardim” Jean Sartief Amorim de Freitas (Macaíba)
“Contemplação da Beleza”, Paulo de Macedo Caldas Neto (Natal)
“Nísia”, Severo Ricardo Silva Neto (Mossoró)
“Funduras”, Jeanne Araújo (Ceara Mirim)
“Burocrata”, Wenya Dantas Romariz Machado (Parnamirim)
“Lapso”, Paulo Henrique Alves Pinheiro (Natal)
“Homem”, Jeovania Pinheiro do Nascimento (Natal)
“Palavras”, Shuara Camara Davi (Parnamirim)
“Casa”, Augusto Bernadino de Medeiros (Natal)
“Parahyba”, Francisco Junior Damasceno (Martins)
“Venha ser de mim”, Thiago Rodrigo Lima de Medeiros (Natal)
“Sou comum demais para ser poeta”, Maria José Gomes (Currais Novos)
“Volúpia”, Tatiana de Morais Barbosa (Natal)
“Roda Gigante”, Marina Rebelo Caldas (Natal)
“Flores para Alípio”, Iara Maria Carvalho (Currais Novos)
Transcrito do blog Registrando.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

CAUSO DO ASSU:

DIREITOS IGUAIS
JOÃO CARLOS conta que Ilcon de Sá Leitão se sentiu mau na AABB (local onde trabalhava) e foi para o hospital. Na hora da consulta, Ilcon disse ao médico que Dra. Eloísa era sua sobrinha. O médico pediu à assistente social para chamá-la.

Enquanto Ilcon aguardava a sobrinha, o médico atendeu a um senhor de idade e no final da consulta deu o seguinte conselho ao velhinho:

- Vamos deixar de fumar, faça a dieta que passei direitinho... Caso contrário, só lhe dou uns sessenta dias de vida.

Quando Dra. Eloísa chegou, o médico conversou bastante e descobriu que Ilcon fumava cinco maços de cigarros por dia e a gula era exagerada. Terminada a consulta o médico foi enfático:

- Olha seu Ilcon, tome cuidado: Deixe de fumar, faça esta dieta com rigor, senão, infelizmente, só lhe dou um mês de vida.

Ilcon, em tom lastimoso suplicou: 

- Doutor, pelo amor de Deus, me dê pelo menos os sessenta dias que o senhor deu para aquele velhinho!

Fonte: Dez Contos & Cem Causos - Ivan Pinheiro - G.L. Gráfica - 2007.
Foto ilustrativa: vivamelhoronline.com

POEMA DEVASSO:

MONTE DE VÊNUS

Eu preferia quando os nossos montes
eram cobertos por uma vegetação rasteira
ou mesmo uma mata densa, impenetrável.
A pequena floresta guardava um cheiro
de mar, de ostra, de sargaço
que atraía os machos mais sensíveis.
Descendo pela floresta, eles encontravam
a gruta mais cobiçada do mundo,
com seus riachos de leite,
seus episódios de sangue,
seus labirintos escorregadios, mortais. 

Autora: Nathália de Sousa - Poetisa Norte-rio-grandense.
Livro: Poemas Devassos e uma Canção de Amor.

ATIVIDADE PARLAMENTAR:

O secretário de recursos hídricos do governo do estado, Mairton França, o diretor da ANA, Paulo Varela, o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Piancó-Piranhas-Açu, Procópio Lucena entre outras autoridades também participaram do encontro que buscou soluções para gerir os recursos hídricos da Barragem Armando Ribeiro, na região do Vale do Açu, que passa pela pior seca dos últimos anos e atingiu apenas 27% do seu volume total.

“Hoje foram discutidas ações de gestão para regulação e fiscalização das águas do sistema Pianco-Piranhas-Açu. É preciso diminuir a retirada de água da nossa barragem e propomos a criação de uma linha de crédito Especial para perfuração de poços. Uma parceria público/privada com os bancos para que todo cidadão identificado como morador de regiões secas possa financiar e ter acesso a seus próprios poços, já que na bacia do Açu, não se precisa cavar muito para obter água do subsolo.” Ressaltou o deputado George.

Assessoria de Imprensa do Deputado Estadual George Soares

CULTURA:

ASSUENSES FAZEM PARTE DE 
COLETÂNEA LITERÁRIA
 
No sábado, dia 22 de agosto, a Casa do Cordel fará o lançamento do livro 'Sou da Terra Nordestina' - coletânea que reúne dezenas de poetas do Nordeste brasileiro. Entre os norte-rio-grandenses estão dois assuenses: João Batista Marques e Ivan Pinheiro Bezerra.

O evento se dará no pingo do meio dia na Rua Associação Cultural Casa do Cordel - Rua Vigário Bartolomeu, 605 - Cidade Alta - Natal/RN.

Todos estão convidados à prestigiarem esse evento que visa valorizar a arte poética do Nordeste do Brasil.

ACADEMIA ASSUENSE DE LETRAS:

DISCURSO DE FERNANDO ANTONIO DE SÁ LEITÃO MORAIS NA SESSÃO SOLENE DE INSTALAÇÃO E POSSE

PATRONA: Sílvia Filgueira de Sá Leitão

A assuense Sílvia Filgueira de Sá Leitão é filha de Luís Correia de Sá Leitão e Maria Carolina Soares Filgueira Caldas. Nasceu em 17 de outubro de 1910, na Rua Frei Miguelinho, nº 137, sendo a quarta filha dentre 11 irmãos. Seus genitores, provenientes de famílias tradicionais, pertenciam ao grupo social que, juntamente a outras famílias, liderava movimentos culturais e intelectuais na velha Assú do início do século 20 – a Atenas Norte-rio-grandense.

No seio familiar, os pais zelavam pela sua formação e das demais filhas (Dulce, Corina, Carmen, Letícia, Maria Helena e Consuelo), educadas sob os auspícios dos princípios católicos, do trato social, das prendas domésticas e estímulo às artes.

Não se uniu em matrimônio. Entretanto, as funções do lar e de educadora, assim como as responsabilidades pela formação de outros sujeitos, não deixaram de ser desempenhadas, à medida que se tornou professora primária, educando meninos, meninas, moças e rapazes, e assumindo os cuidados com a sobrinha Maria da Anunciação, órfã materna aos dois anos.

Silvia, ou Silvinha como era conhecida por muitos, estudou no Grupo Escolar Tenente Coronel José Correia, em Assú, tendo acesso ao curso primário completo, isto é, às Escolas Infantil, Elementar e Complementar. Considerada aluna aplicada, se destacava pelas notas alcançadas que lhe rendiam elogios públicos. No jornal A Cidade (1925, p.6), a publicação dos resultados dos exames dos alunos do Grupo Escolar apresentava Silvia como a aluna do primeiro ano do Curso Complementar Misto que obteve os melhores resultados de aprendizagem, aprovada com distinção e média 9,66.

Na condição de aluna do Curso Complementar Primário, em 1925 e 1926 Silvia participou do Grêmio Complementarista do Grupo Escolar, fundado pelo professor Alfredo Simonetti. Em 23 de fevereiro de 1939, um mês após a morte do professor, Silvia, três de suas irmãs e outras colegas organizaram a Polianteia, um impresso em homenagem à memória de Alfredo Simonetti. O significado das ações empreendidas por este mestre é destaque no artigo por elas escrito “Descansa em paz”. Neste período contribuiu com outros escritos para o Grêmio Complementarista. Leitora contumaz, dentre seus autores diletos, estão os poetas Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Gonçalves Dias, Cassimiro de Abreu e Cecília Meireles. Era amante da Lapinha – encenação natalina trazida para Assú pelo seu avô Joaquim de Sá Leitão em 1898, defendendo o cordão encarnado.

O envolvimento de Silvia com as letras avança no tempo e na qualidade, ganhando notoriedade, especialmente através de seus famosos cadernos manuscritos, aos quais, Maria Carolina Wanderley Caldas – Sinhazinha Wanderley, muito apreciava.

Os cadernos manuscritos foram cuidadosamente produzidos entre 1941 e 1979 e se constituem coletâneas de contos, modinhas, canções populares, hinos religiosos, poemas e planejamentos escolares e de cursos de formação, que inspirou o ensino de outras professoras. A caligrafia cuidadosamente caprichada denota o esmero, o amor e a entrega pelo ofício da escrita. Parte desses textos foi utilizada em práticas educativas como professora, inicialmente no Grupo Escolar Tenente Coronel José Correia, onde lecionou entre os anos de 1947 e 1960, e em seguida na Escola Estadual Juscelino kubitschek – ambas em Assú – até  20 de outubro de 1981, quando se aposentou, aos 71 anos.

Os textos selecionados por Silvia em seus escritos evidenciam maneiras de como viveu e pensou o mundo, foi educada e educou seus alunos e filhos do coração que a vida lhe deu, com vistas à formação de cidadãos de bem. Destacam-se os valores republicanos e conjunto de atitudes identificadas pela escritora Júlia Almeida (1930) como trabalho, inteligência, caráter, moralidade, magnanimidade de coração e crença na pátria e em Deus. Seus planos de aula constituem valioso registro histórico dos objetivos educativos da época, acrescido da perspectiva da escola não somente como uma extensão do lar, mas inspirada no ambiente familiar, a fim de oferecer uma atmosfera de segurança e afeto, condição propícia para uma boa aprendizagem.

Certa feita, a amiga Sinhazinha Wanderley presenteou-a com um poema intitulado Sílvia de Sá Leitão: 

É de boa estatura, a tez morena,
Tem dulçor, seu olhar,
O sorriso é suave, qual se fosse,
Um lírio a desabrochar

De rara inteligência, é esforçada,
Com zelo, com magia...
Tem cadernos de ponto e tem ainda,
De canto e poesia.

Tem uma paciência inesgotável,
Na arte de ensinar,
Vai à aula depois dos seus deveres,
No recinto do lar!

É muito preparada lá no Grupo,
Quinau, ninguém lhe passe!
Foi por merecimento nomeada,
Adjunta de classe.
 
Depois este lugar foi suprimido,
Pelo Departamento,
Mas ela, não ficou jamais avulsa
Nem mesmo um só momento

É pronta, a concorrer com seu auxílio
A quem a procurar
Ela vai com denodo e com carinho,
As turmas ensinar...

Eu dou-lhe o meu aplauso, o meu abraço,
De todo coração
Saudando a professora competente,
Sílvia de Sá Leitão.

Após galgar 72 degraus da vida, boa parte deles dedicados à educação, faleceu em 5 de setembro de 1982 e seu corpo sepultado no Cemitério São João Batista, em sua amada Assú.

A professora Sílvia Filgueira de Sá Leitão foi uma mulher notável, e através de suas práticas educativas, sinalizou condições vividas e partilhadas na formação social assuense. Evidenciou ideários educativos da sua época com vistas ao futuro, na construção de uma sociedade melhor.

Os seus “cadernos manuscritos” são cartas de amor às futuras gerações, eternizando versos, modinhas, contos... escritos com as tintas da generosidade e do afeto que desafiam a efemeridade do papel amarelado pelo tempo.

Nesta noite especial, onde minha felicidade só tem sentido por ser partilhada com familiares e amigos, ela não é minha, é de todos nós, é da cultura. Salve, Assú!

Muito obrigado.

Fernando Antonio de Sá Leitão Morais

* Algumas informações biográficas extraídas de trabalhos publicados pelas professoras Maria da Conceição Silva e Silvia Helena de Sá Leitão Morais.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PRESENÇA:

GEORGE SOARES PARTICIPA DA POSSE DO NOVO SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO

GS
O deputado estadual George Soares (PR) participou da posse do novo secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Flávio Azevedo, realizada na tarde desta terça-feira (04).
A solenidade aconteceu no auditório da Governadoria e reuniu, além do deputado George Soares, o governador Robinson Faria, demais parlamentares da Assembleia do RN, representantes de várias entidades, autoridades e políticos.
“Vamos manter esse diálogo aberto com a Secretaria de Desenvolvimento do Estado que é estratégica para o RN e para o Vale do Açu, apresentando projetos estruturantes necessários para o crescimento da nossa região e do nosso estado.” Afirmou o deputado republicano sobre a posse.
Assessoria de Imprensa

ACADEMIA ASSUENSE DE LETRAS:

DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO
FRANCISCO JOSÉ COSTA DOS SANTOS

 
ASSU
O Assú envelhecendo
Com o seu tesouro imerso
Abre a fonte do progresso
Cumpre a ordem de Deus pai,
Teu nome quer dizer grande,
A tua história tem brilho,
Assú de João Celso Filho
Crescei e multiplicai. 
Nas tuas várzeas a brisa
Balança tuas palmeiras,
Das tuas carnaubeiras
Muita riqueza se extrai;
As tuas belas paisagens
Ao longe deslumbra a vista,
Assú de São João Batista
Crescei e multiplicai. 

Francisco Agripino de Alcaniz (Chico Traíra)

        Senhor presidente Ivan Pinheiro Bezerra, em nome de quem saúdo aos ilustres imortais desta Academia Assuense de Letras;
Sra. Waugia Maria Alcaniz, dileta amiga e filha do inigualável Francisco Agripino de Alcaniz, ou simplesmente Chico Traíra em nome de quem saúdo todos os representantes dos patronos aqui presentes;
Professora Francisca Livanete Barreto Ferreira, em nome de quem saúdo todo o público aqui presente, meu cordial boa noite.
         A constituição da Academia Assuense de Letras representa um marco indelével na história da cidade do Assu. Para mim, figurar entre os primeiros sete membros da Academia Assuense de Letras me enche de orgulho, pois suscita-me  o desejo inerente de, junto aos colegas de Academia, resgatar os valores culturais vividos em outrora e contribuir para que o título de Atenas Potiguar possa ser cada vez mais real e verdadeiro em todos os rincões deste estado e quiçá, deste país e deste mundo.
      Quero sequenciar minhas palavras apresentando o meu patrono Francisco Agripino de Alcaniz, ou simplesmente Chico Traíra. Nascido no Sítio Pau do Jucá, comunidade rural de Ipanguaçu em 08 de Janeiro de 1926, segundo o registro oficial. Desde muito cedo despertou dentro de si o gosto pela cultura, em especial a cultura nordestina. Relatos colhidos com familiares informam que ainda menino Chico Traíra era presença obrigatória nas rodas de viola da época. O apelido de Traíra veio por legado de família e acabou se confirmando culturalmente em função de suas tiradas sempre espirituosas. Nas cantorias de viola ninguém jamais conseguiu derrotá-lo na rima e se dizia que ele era escorregadio como uma traíra, daí a confirmação do apelido que lhe acompanhou por toda a vida e pela eternidade literária.
Viveu Chico Traíra da Arte, na Arte e pela Arte. Quando acometido de problemas pulmonares, se viu obrigado a abandonar a viola, dileta companheira, e dedicar-se ao folheto de cordel. Primorosos escritos surgiram dessa fase de meu patrono. Chico transitou com sua arte na política, na educação, na saúde, nas questões ambientais, culturais e principalmente na cidade do Assu. Ele também enveredou pela radiodifusão e mantinha programas de rádio em diversas emissoras. Foi um incentivador e assíduo colaborador do projeto MOBRAL de alfabetização.
Chico Traíra serviu de base para dezenas de estudos monográficos, de dissertações e teses de doutoramentos, algumas, inclusive, fora do país como é o caso da Tese: Chico Traíra: A popular poetry to the new world. Tese na qual o Dr. Richard Resbond Walsh, da Suécia, defende a obra de Chico Traíra como referência no cenário literário mundial.
Conforme o livro Fundação José Augusto, 40 anos, Chico Traíra foi considerado um dos maiores, violeiros que nasceram neste Estado. Seu improviso genial era reconhecido por toda a região e, mesmo, em outras partes do país. Entre seus inúmeros cordéis cabe destacar A minha vida de cantador pelo primoroso registro dos momentos mais representativos de sua trajetória artística, resumo admirável e ao mesmo tempo simples, ingênuo às vezes, no qual uma extrema sensibilidade perpassa cada estrófe.
Chico Traíra é um artista destacado no cenário cultural. “Um mestre em sua arte!” – esse parecer é unânime entre folcloristas e admiradores do gênero. É verbete no Dicionário de Repentistas e Poetas de Bancada, de Átila de Almeida e José Alves Sobrinho. Também é citado nas obras Poetas e Boêmios do Açu, de Ezequiel Filho  e Repentes e Desafios, de José Lucas de Barros.
É patrono do projeto Chico Traíra da Fundação José Augusto que estimula a produção e publicação de literatura de cordel no Estado do Rio Grande do Norte. Francisco Agripino de Alcaniz empresta seu nome à uma rua no bairro Frutilândia aqui na cidade do Açu. É constantemente homenageado e reconhecido como uma das cabeças culturais mais iluminadas do Rio Grande do Norte.
Foi casado com Dona Nilda Fernandes de Alcaniz com quem teve quatro filhos dentre os quais a senhora Waugia Maria de Alcaniz nos brinda com sua presença nesta solenidade de posse da Academia Assuense de Letras.
Chico faleceu em Natal, a 7 de maio de 1989, deixando pranteado o coração cultural do Rio Grande do Norte.
Minha escolha por Francisco Agripino de Alcaniz deveu-se a esse homem representar, de maneira inconteste, a cultura e a vida do povo potiguar seja através de sua viola, seja através dos versos, seja através da vida.
E, para encerrar minhas palavras gostaria de lhes recitar um pequeno trecho de um de meus trabalhos no campo poético denominado Minha História que diz:

Escrevi algumas “tretas”
Que se tornaram publicações
E na Academia Assuense de Letras
Vim viver novas emoções.

Tornando-me um imortal
Para a cultura exaltar
E pelas linhas da literatura
Valorizar o meu lugar.

Assim, trilho passos de amor
Canto o cântico da saíra,
Sob os auspícios de valor
Do grande Chico Traíra

Muito Obrigado e Boa Noite.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

POLÍTICA:

Vigário-geral da Diocese de Mossoró e administrador da paróquia de São João Batista em Assú, o padre Flávio Melo decidiu antecipar nesta terça-feira (04) sua decisão de não se colocar no jogo da sucessão municipal de 2016 em Assú.
Foi durante a celebração eucarística da tarde, na igreja matriz de São João Batista, quando, ineditamente, usou o microfone do púlpito para afirmar claramente que não será candidato a prefeito na eleição de outubro do ano que vem.
O vigário lembrou que em maio teve um diálogo longo com o prefeito da cidade, Ivan Júnior (PROS), o qual lhe convidou para disponibilizar seu nome para o pleito municipal.
Declarou que o bispo diocesano, dom Mariano Manzana, já sabia há alguns dias sua posição de declinar do projeto político-eleitoral e, em segundo lugar, transmitiu sua definição ao chefe do Executivo, a quem agradeceu o convite.
Idêntica gratidão externou ao deputado estadual George Soares (PR) por ter endossado a possível postulação majoritária, e a todos os demais que o cercam.
“As tentações foram me feitas, sem dúvida alguma, mas a decisão é pessoal”, registrou o sacerdote, afirmando que havia pensado em anunciar mais à frente sua posição sobre o tema, mas, neste dia – data consagrada no calendário católico a São João Maria Vianney –, resolveu antecipar: “Não serei candidato a prefeito do Assú em 2016”.
Postado por Pauta Aberta.

ARTIGO:

treze livros essenciais do conto potiguar no século XX 
Por Thiago Gonzaga *
Em ordem alfabética:
1. Cárcere das Águas, de Fagundes de Menezes.
2. Chão dos Simples, de Manoel Onofre Jr.
3. Os Deserdados da Chuva, de Eulício Faria de Lacerda.
4. O Dia em que Tyrone Power Esteve em Natal, de Geraldo Edson de Andrade.
5. Um Dia… Os Mesmos Dias…, de Francisco Sobreira.
6. Estórias Gerais, de Jaime Hipólito Dantas.
7. O Homem que Assassinava Árvores, de Pedro Simões.
8. Lugar de Histórias, de Bartolomeu Correia de Melo.
9. Os de Macatuba , de Tarcísio Gurgel.
10. Os Mortos São Estrangeiros, de Newton Navarro.
11. Pedro Cobra e Outros Acontecidos, de Umberto Peregrino.
12. Sete Contos Curtos e Outros Nem Tanto, de Moacir de Góes.
13. Sete Degraus do Absurdo, de Edna Duarte.
Esta lista tem o intuito de servir como modelo, um parâmetro para alunos, professores e pesquisadores conhecerem o que melhor se produziu, em se tratando de contos, no Rio Grande do Norte, no século passado. São livros-base. Vale ressaltar Martins de Vasconcelos, como o primeiro contista potiguar, porém cito aqui mais pela relevância histórica do que pelo valor estético. Afonso Bezerra foi com certeza nosso primeiro grande contista, porém, morreu inédito, em livro, só tendo sua obra literária resgatada nos anos 60 por Manoel Rodrigues de Melo.
Outro excelente contista nosso, Nei Leandro de Castro organizou a primeira antologia de contistas potiguares, em 1966, porém, não publicou livro de contos no século XX; estreou, recentemente, em 2013, com a obra “Pássaro sem Sono”. É bom também observar que contistas como Francisco Sobreira, Geraldo Edson de Andrade e Tarcísio Gurgel são autores de outros livros de contos, publicados no século XX, que se situam no mesmo nível qualitativo dos que constam desta lista. Sobreira tem, pelo menos mais dois bons livros que mereceriam estar na lista; “Não Enterrarei os Meus Mortos”, e “ A Noite Mágica”. Bartolomeu Correia de Melo é outro caso semelhante: estreou em 1997 com um livro de contos, “Lugar de Estórias”, mas, no século XXI ele ainda iria produzir outros livros no mesmo nível. François Silvestre e Iaperi Araújo, veteranos cultores da ficção, (os dois fizeram algumas incursões pelo conto no passado) vêm cada vez mais se destacando neste inicio de século: o primeiro como importante romancista e o segundo como autor de contos de muito boa qualidade estética e literária, publicados em revistas literárias.
Comparada, a realidade deste novo milênio, é bastante diferente, pois sobressaem muitos outros bons livros de contos que, alias, não vamos listar, pois estamos analisando apenas obras do século passado. Mas é notório o excelente trabalho de ficcionistas como Aldo Lopes (Escritor paraibano radicado em Natal), Demétrio Vieira Diniz, Nelson Patriota, Pablo Capistrano e outros talentos de valor nacional.
Semana que vem finalizamos este trabalho com as dez novelas mais relevantes da literatura potiguar.
Thiago Gonzaga é pesquisador, especialista em Literatura Potiguar pela UFRN.

ACADEMIA ASSUENSE DE LETRAS:

DISCURSO DE POSSE DE FERNANDO ANTONIO CALDAS
Fernando Caldas. No telão, imagem do patrono João Lins Caldas 
 
 JOÃO LINS CALDAS

Deus deu-me tudo.
Deus deu-me tudo do que a mim amargurado Deus me devia dar.
Deus deu-me tudo.
Si amargurado, porque a mim as razões de me amargurar.
Escreveu, numa inspiração magoada, o lírico modernista João Lins Caldas.
Assu registra, na noite de hoje, mais um capítulo de sua relevante história, com a instalação oficial da sua primeira academia de letras.

Assumo, nesta instituição cultural, uma cadeira cujo patrono é ninguém menos que João Lins Caldas. Tão rico legado é para mim uma honra, além de uma grande responsabilidade. Porque Caldas é, senão o maior, pelo menos um dos maiores poetas da língua portuguesa; autor de uma obra literária vasta, multifária e bela, marcada de profunda ternura e melancolia. De sua autoria, evoco:

Fiz-lhe ver aquilo que representava para a minha vida.
O que representava para o meu destino.
Era a minha vida.
Era o meu destino.
Aos seus olhos porém nada que aquilo lhe representou.
E queimou a minha alma.
E queimou o meu destino.
Por volta de 1900, aos 12 anos de idade e já poeta feito, Caldas chega à aristocrática e poética cidade de Assu, terra de seus ancestrais paternos, acompanhando seus pais João Lins Caldas e Josefa Leopoldina Lins Caldas (dona Fefa), procedente de Goianinha, região agreste ao sul do litoral potiguar, onde nascera em 1888. Tinha ele um único e querido irmão, chamado José Lins Caldas. Passa a conviver entre a terra assuense e o povoado de Sacramento (atual Ipanguaçu), fundado pelos seus antepassados.

Em 1908 mora na cidade do Natal, onde colabora em jornais como ‘A República’ e começa a enviar seus escritos para calendários como Almanaque de Pernambuco e Literário de Pernambuco (do Recife), Popular Baiano (de Salvador), Brasileiro Garnier (do Rio de Janeiro), Contemporâneo Paulista e o Luso-Brasileiro (de Lisboa), além do Almanaque de Barry (de Nova York/Brasil) e no Brasil Portugal. Folhinhas e almanaques de farmácias como Maranhense (do Maranhão), Farmacêutico Granado e O Farol da Medicina (do Rio de Janeiro) também contaram com a prestigiosa colaboração de Caldas.  
Regressa ao Rio de Janeiro em 1912, trabalha como revisor em jornais e escreve milhares de páginas de poesias. Ingressa no serviço público e torna-se frequentador habitual da Biblioteca Nacional e das livrarias José Olympio e Garnier, construindo relações amistosas com grandes nomes da política e das letras nacionais, como Ribeiro Couto, Olavo Bilac, Monteiro Lobato, Augusto Frederico Schimidt, Lima Campos, Hermes Fontes e José Geraldo Vieira, dentre outros.
Colabora em jornais como ‘Correio da Manhã’ (do Rio de Janeiro), ‘Correio do Povo’ (de Porto Alegre) e ‘Correio de Bauru’ (interior de São Paulo), e também em revistas nacionais de destaque, como a popularíssima ‘Fon-Fon’. A propósito, na edição de 1º de março de 1924 vamos encontrar este poemeto seu:
Sonho tão cheio da minha crença...
Sonho da imensa crença do sonho...
Eu tive um sonho que Já foi crença...
Que já foi crença?...
Nem hoje é sonho.
Caldas, que tinha a sua própria forma de construção gramatical, escreve no eixo Rio-São Paulo treze livros, dentre os quais registro ‘Litanias de um doido’, coletânea cujos manuscritos viria impressionar o crítico literário Pereira da Silva, para quem a obra caldiana “está para a língua portuguesa assim como ‘Balada do cárcere’ de Wild está para a Língua inglesa.” Além de ‘Árvore de Raios – pensamentos’:
Com esses olhos grossos de chuva eu quero chorar – escreveu o Caldas pensador.
Postumamente estão publicados os volumes intitulados ‘Perfil de João Lins Caldas’, 1974, por Maria Eugênia Montenegro; ‘Poética’, 1975, organizado por Celso da Silveira (Fundação José Augusto) e ‘Poeira do céu’, 2009, organização de Cássia de Fátima Matos dos Santos, pela Editora da UFRN.
É preciso relembrar que em 1917, muito antes da Semana de Arte Moderna (1922), Caldas já cantava em verso livre, emancipado dos grilhões da métrica, conforme afirmação do potiguar Antônio Bento. Considerado um dos maiores conhecedores e críticos de arte moderna no Brasil, Bento tinha Caldas na conta de ‘pai do modernismo brasileiro’.
Em 1933 retorna à cidade de Assu. Tempos depois, por intermédio de Esmeraldo Siqueira, colabora em importantes jornais do Nordeste brasileiro como ‘Diário de Pernambuco’ e ‘Jornal do Commercio’ (do Recife), numa época em que Mauro Mota e Esmeraldo Marroquim, respectivamente, dirigiam os suplementos literários daqueles periódicos da terra pernambucana.
Em 1936 imortalizou-se. O escritor José Geraldo Vieira, consagrado um dos maiores autores do romance moderno brasileiro, o contemplou em seu romance urbano de ficção, “essencialmente carioca”, intitulado ‘Território humano’, encarnado no original e emblemático personagem Cássio Murtinho. A façanha se repetiria. Em 1946, em ‘Carta à minha filha em prantos’, outro livro de sua autoria, bem como em longo depoimento proferido na Academia Paulista de Letras, em 1971, o escritor Vieira revela ser João Lins Caldas o seu verdadeiro Cássio.
Pena que o poeta que sonhava ganhar um Nobel de Literatura, e que “temia não ver repassado ao mundo literário a sua produção intelectual”, tenha morrido em 1967 sem publicar-se trilíngue: em português, inglês e francês, conforme aspirava e demonstrava a convicção de que, publicado todo o seu trabalho, se consagraria como um dos maiores ícones da poesia universal.
E o poeta, afinal, cuja obra poética podemos conferir a presença feminina escreveu ardente de paixão, o poema que declamo:
:
O teu mundo é novo. A tua carne é nova. Eu sou a velhice, o mundo abalado.
O teu mundo que me convida. O permanente mundo em flor da tua carne.
Beijar-te os olhos, acariciar-te os dedos, ter nas mãos a doçura do teu cabelo, tua nuca, o teu pescoço roliço para acariciados...
Dirás que a vida é bela. A vida é bela!
Mas eu, amor, já agora tão triste e tão cansado.
Ontem que não chegou. Ontem que foi mesmo um dia amarelo...
Mas agora, que o dia é chegado...
Perdão, perdão, eu de mim mesmo é que já não sou belo.
Vai, e não leves de ti a tua desilusão...
O que me dói, o que ainda me dói...
(... E não ver essas roupas desmanchadas,
O azul desses olhos, a graça e a festa dessas mãos...)
Deixa que eu feche os olhos, e não te veja, e não veja mais nada...
Obrigado, e perdão.
Fernando Caldas