sábado, 28 de dezembro de 2013

CONTO

Dias de luta

“Que dia”, pensou consigo naquele fim de tarde.

- Seu Carlos, meu café tá perto?

Sentada, olhando os carros passarem pela janela da cafeteria, Júlia pensava sobre tudo o que estava acontecendo em sua vida. De arma e distintivo na cintura, esperava pelo seu café de toda terça-feira, feito com apreço pelo seu Carlos, simpático senhor cujo café ela frequentava há anos, desde que suas rotinas e plantões policiais haviam começado. Era uma espécie de ritual: sempre que exausta após um dia de trabalho, seja pelas barbaridades cometidas pelos habitantes do mundo do crime ou pelas falcatruas e corrupções praticadas por homens de colarinho branco e colegas de trabalho, vinha ao simpático café e sentava em alguma mesa próxima à janela, de onde mirava, sozinha, os carros e transeuntes indo para lá e para cá, em um ritmo cotidiano que, de certa forma, a deixava relaxada; pensativa.

De sua janela, enxergava toda aquela realidade como um astronauta enxerga a Terra de sua nave: sentia-se deslocada daquele mundo; estranha; estrangeira. Considerava-se uma intrusa - só não sabia de onde tinha vindo. Olhando aqueles seres de outro planeta, tão próximos e, ao mesmo tempo, tão distantes, indagava-se sobre quais seriam os medos, as alegrias, as memórias e histórias de vida que guiavam aquelas pessoas. Ao longe, um casal com roupas de verão coloridas e um mapa na mão conversavam entre si. “Estão perdidos?”. “Vai ver eu é que estou perdida?”, pensou rindo consigo.

“Esse jogo foi feito para quem sabe jogar”, dizia-lhe, na manhã daquele mesmo dia, com um sorriso malicioso, o advogado de um empresário rico e bem conhecido da alta sociedade suspeito de uma série de crimes ligados à máfia local. “E você é apenas uma peça nesse tabuleiro inteiro, minha querida”. Ela não soube o que dizer. Ficara parada, vendo todo o esforço que ela e sua equipe tiveram nos últimos meses saindo pela porta, de mãos livres, impune. A felicidade e o brilho de desdém daquele advogado e seu cliente tinham lhe doído mais do que uma bala cruzando seu peito. “Preciso de um café”. “Preciso ver o mar”.

Na verdade, conhecia bem as regras do jogo. Sabia de toda pressão que sofreria quando decidira ser policial. O que mais lhe dava temores, no entanto, era como faria para separar sua vida profissional de sua vida emocional, de seu lar. Sempre achara que, no fundo, esta sim, em relação àquela, seria a maior batalha que travaria. E tinha a ciência de que, no final das contas, no cair das cortinas, teria que contar consigo mesma. “Sozinha e só”.

Sua família havia se mudado para outro estado alguns anos atrás, devido à promoção de seu pai em uma empresa do ramo de petróleo. Morava sozinha. Solteira, nunca havia se casado. Tivera um ou dois relacionamentos duradouros que se esvaíram com o tempo, desgastados emocionalmente ou sexualmente. Sentia-se sozinha boa parte do tempo, mas já havia se acostumado a isto. Driblava a solidão com alguns bons amigos, um cachorro, os bons livros de sua estante ou um bom filme. Às vezes, envolvia-se com algum rapaz, mas eram coisas passageiras, comuns a qualquer mulher solteira e bonita.

Era belíssima. Despertava a atenção de qualquer homem por onde passasse. Dona de um belo corpo, seu sorriso e olhos castanhos fascinavam a quem quer que os cruzassem. No entanto, nenhum deles lhe convencia de que poderia preencher aquilo que desejava para os próximos anos de sua vida. “Um bom livro e um bom cachorro bastam no momento”, disse um dia sorrindo para uma de suas amigas.

Ainda no café do seu Carlos, quando estava prestas a pagar a conta, ouvira os gritos de uma mulher. Ao correr até a porta de saída, deparou-se com um homem armado, chorando e tremendo-se, com a arma apontada para uma mulher e uma criança. “Se ele não ficar comigo, não vai ficar com ninguém. Ninguém!”, gritava ele.

“Polícia! Abaixe a arma. Agora!”.

O homem continuava com a arma apontada. A mulher, abraçada ao garoto, chorava de olhos fechados pedindo que ele não os machucasse. “É o nosso filho, por favor!”. O garoto, em estado de choque, nada fazia a não ser olhar para o chão e para a mãe.

“Abaixe a arma, agora! Você não precisa fazer isso!”, dizia Júlia, com um tom de voz mais calmo, à medida que se aproximava lentamente do homem. Olhando-o mais de perto, ela pôde enxergar seus olhos extremamente vermelhos e sua pupila dilatada, bem como a expressão facial de um homem doente em um acesso de loucura. “Ele vai atirar”, pensou ela.

De repente, vendo Júlia se aproximar, o homem apontou a arma para ela.

Um tiro. Dois tiros.

Caíra no chão soltando a arma, de joelhos e rosto.

Júlia havia disparado contra ele. Dezenas de curiosos que estavam a metros de distância corriam aos gritos em direção à frente da cafeteria. A mulher e seu filho, abraçados, choravam bastante. Em seguida, ela tentou acalmá-los. Duas viaturas da polícia chegavam ao local. Dezenas de curiosos, uma família destruída, um corpo.

Após resolver todas as questões do incidente que ocorrera naquele fim de tarde, voltara para casa, exausta. Ao abrir a porta de seu apartamento, recebeu as boas vindas do seu cachorro, fiel amigo. Uma correria e um balançar de rabo indicavam a felicidade da presença dela. Fez um carinho nele e cócegas em sua barriga. “Um banho, é tudo o que eu preciso”. “Uma boa música e um bom vinho”.

Minutos depois, na varanda de seu apartamento, desfrutava da música suave e do céu estrelado. Lá embaixo, um casal caminhava com um carrinho de bebê. Pareciam felizes; contentes. Vez ou outra tiravam uma foto e se beijavam, leves, despreocupados. Do outro lado da rua, um grupo de senhoras conversava na calçada, olhando, também, a cena daquele curioso casal.

“Hoje salvei uma mãe e um filho”, pensara. Aos seus pés, seu cachorro se esfregava em sua perna como quem pede carinho e atenção.

Sentindo o vento frio da noite, Júlia sorriu, olhou para o céu estrelado e fechou os olhos.

“E amanhã, quem vai me salvar?”.

Autor: Airton Neto
Fonte: Recanto das Letras
Foto ilustrativa

MENSAGEM


PIATÓ:


Sabidamente, a Lagoa do Piató, localizada na cidade do Assú, está agonizando;

Sabidamente, a Lagoa do Piató é vitima diária da retirada de alguns mil litros de agua, por parte de proprietários de fazendas localizadas em seu entorno, os quais criam dezenas de animais de quatro patas;

Sabidamente, a água retirada em grandes proporções da Lagoa do Piató serve para aguar o capim a ser ingerido por estes quadrupedes;

Sabidamente, a população nativa que habita o entorno da Lagoa do Piató e que sobrevive da pesca ou da agricultura familiar está sofrendo desmesuradamente os efeitos da seca e da retirada indiscriminada da água desta Lagoa;

Sabidamente, os órgãos ambientais (se é que na república independente do Assú eles existem) fazem vistas grossas para este descalabro;

Sabidamente, a Lagoa do Piató está com cerca de 25% de sua capacidade hídrica;
Sabidamente...

Uuuufffa... será que não seria plausível exigir que os proprietários dos quadrupedes que se alimentam do capim aguado com as águas da Lagoa do Piató fossem co-responsáveis por medidas e ações que amenizem o sofrimento da comunidade ribeirinha que sobrevive dos parcos recursos que este manancial hídrico ainda lhe disponibiliza?

Por onde anda as instituições de direitos humanos, associações, ambientalistas, partidos políticos...? Éééé... melhor encarar o factual: Na república independente do Assú, nada disso existe!

Postado por ana valquiria
Foto: Samuel Fonseca

CHARGE

GENEALOGIA

O Padre revolucionário e os Montenegros de Assú (II)

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
No artigo anterior vimos que Domingos de Mello Montenegro, filho de Manuel de Mello Montenegro e Genebra Francisca de Vasconcelos Pessoa, casou em 1824, no Assú, com a idade de 46 anos, sendo ele natural de Tejucupapo, Pernambuco. Daí concluímos, pelas informações do Pe. Sadoc, que Domingos era irmão do Padre João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro e que nasceu por volta de 1778. Portanto, ele era mais velho do que seus irmãos sobralenses. Mais ainda, essa informação confirma que os pais do padre revolucionário só podem ter ido para Sobral depois do ano de 1778 e, por isso, o Padre João Ribeiro deve ter nascido em Tracunháem como dizem os mais diversos autores. Outro detalhe é que o intervalo entre a data do nascimento do Padre e a de Domingos é de 12 anos, e, portanto, Manuel e Genebra devem ter tido outros filhos nesse período.

Uma das testemunhas do casamento de Domingos foi Mathias Antonio de Oliveira Cabral, na época solteiro. Ele casou em 17 de novembro de 1827, no Assú, com D. Maria Umbelina Montenegro, 22 anos, natural de Goianinha, filha de Manuel de Mello Montenegro Pessoa, já falecido e D. Ângela Garcia de Araújo Freire. Quem era esse Manuel de Mello Montenegro? É provável que seja Manuel nascido em 1780, em Sobral, irmão de Domingos e do Padre João Ribeiro. Como D. Maria Umbelina nasceu em Goianinha, vemos que tanto Domingos como seu irmão Manuel moraram nessa cidade antes de ir para Assú. Outro fato interessante é que D. Ângela foi madrinha, em 1835, de Ovídio, filho de outro Manuel de Mello Montenegro Pessoa e de Maria Beatriz Paz Barreto. É possível que o genro de Manuel Varella Barca seja filho, portanto, de Manuel de Mello Montenegro e D. Ângela Garcia, e por consequência sobrinho do Padre revolucionário.

Em 16 de agosto de 1846, no Assú, foi batizada Catharina, filha de João Ribeiro Pessoa e Maria Romualda Cavalcante, e teve como padrinhos o Major Mathias Antonio de Oliveira Cabral e sua mulher D. Maria Hermelinda Albuquerque Montenegro. Dona Maria Umbelina Montenegro deve ter falecido, e, portanto, Mathias casou novamente. É provável que essa segunda esposa fosse irmã da primeira. No batismo de Manoel, outro filho de Manoel de Mello Montenegro Pessoa, e Maria Beatriz Paz Barreto, uma das madrinhas foi Maria Hermelinda de Albuquerque, pelas minhas suspeitas, tia do batizado. Nas minhas suspeitas, Manuel de Melo Montenegro Pessoa, Maria Umbelina e Maria Hermelinda deviam ser irmãos, filhos todos de Manuel e Ângela, citados acima.

Outro detalhe da vida dos Montenegros vem de um artigo de Vinicius Barros Leal, intitulado O Padre João Ribeiro e o Ceará. Nesse artigo ele noticia a existência de dois filhos do Padre, a saber: Hermano e Filadélfia que no ano de 1831 tinham respectivamente 26 e 21 anos, moravam em lugares separados, o primeiro em Pernambuco e ela, Filadélfia, no Ceará, na companhia de seu tio, o Padre Francisco Urbano Pessoa Montenegro, vigário de Uruburetama. A admiração do Padre João Ribeiro por George Washington o fez por o nome de Filadélfia na filha.

Segundo Vinicius, Filadélfia, em 4 de novembro de 1834, casou-se com o baturiteense José Fideles Moreira Lima, filho de Antonio Moreira Barros e Josefa de Abreu e Lima. No registro do casamento a noiva é dada como nascida no Rio Grande do Norte, e filha natural de Leocádia Cândida Torres. Diz ainda Vinícius que noutro local, precisando melhor o lugar de seu nascimento, o Assú, a sua mãe figura com o nome de Teresa Joaquina Ribeiro. Entre os filhos nascido do casal cita: José, a 1º de abril de 1838; Hermano, a 12 de abril de 1841; João, em setembro de 1842; Tito, a 8 de dezembro de 1843; Francisco Urbano e Maria Hermelinda, que casou com Antonio Joaquim de Melo e foram os pais de José Artur Montenegro, nascido a 29 de fevereiro de 1864 e falecido a 3 de abril de 1901.

Filadélfia homenageou o irmão, Hermano, batizando um dos filhos com esse nome. Da mesma forma homenageou o tio, Padre Francisco Urbano Pessoa Montenegro, outro irmão do Padre João Ribeiro, que não localizei onde nasceu. É oportuno lembrar que havia no Assú um Padre com o nome de Francisco Urbano de Albuquerque Montenegro, que suspeito ser da mesma família do Padre João Ribeiro. Esse Padre Francisco Urbano foi quem celebrou, em 1843, o último batismo que encontrei na Ilha de Manoel Gonçalves. Esse sobrenome Albuquerque que aparece na família vem de Dona Brites Albuquerque, uma ascendente dos Montenegros.

Os Montenegros têm ainda um entrelaçamento com a família Raposo da Câmara. Encontramos que o capitão Cândido Soares Raposo da Câmara era casado com Dona Genebra Philadélfia de Vasconcelos, em outros registros Montenegro Câmara, Oliveira Câmara, e Cabral de Oliveira Câmara. Toda essa variação de sobrenomes, de Dona Genebra, me faz crer, que ela era uma das filhas de Mathias Antonio Cabral de Macedo e Maria Hermelinda de Albuquerque Montenegro. Foi uma homenagem tanto a mãe, como a filha do Padre. Outros filhos de Mathias e Hermelinda encontrados: Edwiges Emília de Oliveira Cabral, Cassiano Cabral de Oliveira Montenegro e Leocádia Leopoldina de Oliveira Montenegro. Está faltando um livro que trate das famílias do velho Assú. A região merece.

A primeira parte foi postada por este blog no dia 10 de agosto de 2013.
Fonte: Hipotenusa

HISTÓRIA

Primeiros Nomes do Assú - PARTE II

Arraial de Santa Margarida 
O levante indígena contra os colonizadores tem maior intensidade com a rebelião denominada Guerra dos Bárbaros.
 Informa Taunay que Manoel de Abreu Soares, chegando à Ribeira do Assú, acampou num lugar chamado Olho D’água e depois em Poço Verde, onde construiu estacada (Atualmente, ainda subsistem esses topônimos, o primeiro no rio dos Cavalos e o outro na margem esquerda do rio Assú). Encontrou-se destruído, o arraial fundado pelo pessoal ligado a João Fernandes Vieira, “cujas casas os índios saquearam, tendo feito grande mortandade de gente e animais”. Depois de sepultados os ossos, encontrados ao relento, Manoel Soares seguiu na pista dos índios, que foram localizados em Mossoró onde tinham ido abastecer-se de sal. Travado intenso combate morreram dois homens da tropa, ficando um ferido, ocorrendo uma grande matança de índios, que se dispersaram.
Os remanescentes do grupo indígena refugiaram-se no seu valhacouto do Carrasco, de onde voltaram, incendiando o antigo arraial e atacando o fortim de Abreu Soares, dali distante uma légua.
Resolveu, então, Abreu Soares acampar em local distante seis léguas acima do arraial destruído, tendo iniciado a construção, à margem esquerda do rio Assú, de uma Casa-Forte para proteção das tropas contra as arremetidas dos tapuias.
Esclarece Santos Lima que os locais do Arraial e da Casa-Forte, ainda hoje são denominados pela população.
Naquela Casa-Forte, Abreu Soares permaneceu por quatro meses, sem que se verificassem ataques dos índios, tendo o mesmo regressado a Natal, ficando como substituto, no comando o Sargento-mor Manoel da Silva Vieira.
Na ausência do Capitão-mor Abreu Soares, os índios voltaram à carga, sendo repelidos pelo sargento-mor, ficando as tropas aquarteladas na casa-forte, porém sem condições de perseguir o inimigo. O capitão-mor regressou ao Assú, pelo início de 1687, e ali chegando perseguiu os selvagens durante 25 dias, desbaratando-os já no Ceará. Aprovisionou-se de alimentos retornando ao Assú numa longa viagem que durou três meses. (Índios do Assú e Seridó - Olavo de Medeiros Filho, 1984: 118).
De fato, para o colonizador, a guerra assumiu proporções perigosas e desastrosas. Uma carta do senado da Câmara de Natal, datada de 23 de fevereiro de 1687, dirigida ao Governador de Pernambuco, João da Cunha Souto Maior, dava conta que só no Assú os povos indígenas do grupo Tapuia:

“já tinham morto de cem pessoas, escalando os moradores, e destruindo os gados e lavouras, de modo que, já não eram eles os senhores daquelas paragens, que a fortaleza se achava sem guarnição, não dispunha de recursos necessários para acudir os pontos atacados.” (Pires, 2002; 67/78).

No dia 20 de julho de 1687 a região do Assú é denominada de ARRAIAL DE SANTA MARGARIDA. Em plena efervescência da Guerra dos Bárbaros, ou levante do Gentio Tapuia, o Capitão-Mor Manuel de Abreu Soares fundou o Arraial.
Acampou, nesta data, na fralda de uma colina arenosa, à margem esquerda de um braço do rio Assu, lugar onde se diz fora o principal alojamento dos índios, conhecidos por Taba-Assú, a cerca de 2 quilômetros da Casa-Forte pelo lado sul”. (Medeiros, 1984; 119).
A origem do nome do novo arraial, batizado com o nome de Santa Margarida, deu-se em decorrência de coincidir a data da chegada de Abreu Soares ao Assú, vindo do Ceará, com o dia em que era festejada aquela santa pelos católicos.   

O arraial começou a dar ares de desenvolvimento ao tempo em que continuavam os ataques dos selvagens. Foram feitos muitos sacrifícios de vidas e de haveres para a completa exterminação dos rebelados, passando, após a criação da freguesia (1726), a ser conhecido pela denominação de Povoação de São João Batista da Ribeira do Assú. Os Janduís, apaziguados, foram aldeados no arraial com seus missionários. 
Fonte: Assu - Dos Janduís ao Sesquicentenário - Ivan Pinheiro.
Foto ilustrativa: históriarn.blogspot.com

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

HISTÓRIA

Primeiros nomes do Assú - PARTE I
TABA-ASSÚ

Na visão do historiador Luiz da Câmara Cascudo “O nome popular, real, lógico é o Assú, valendo o rio condutor das atividades. Taba-Assú é uma imagem literária sem fundamento histórico”. 

Um dos primeiros relatos da existência de índios na região do Assú é feito por Ferreira Nobre.     O historiador Nestor dos Santos Lima, no seu livro ‘Municípios do Rio Grande do Norte’, editado em 1937, cita Manuel Ferreira Nobre que em seu trabalho “Breve notícia sobre a Província do Rio Grande do Norte”, publicado em 1877, em Vitória-ES, afirma que: “... no ano de 1650, uma tribo de numerosos índios levantou os fundamentos da cidade, (do Assú), dando-lhe o nome de TABA-ASSÚ, que quer dizer Aldeia Grande”.

O Assu era povoado, por volta de em 1650, por numerosos íncolas selvagens, chamados Janduís, que formavam uma grande tribo, cujos acampamentos estendiam-se do Vale do Assú à ribeira do Mossoró.

Guerreiros. Cultivavam a força física da sua raça por meio de contínuos exercícios e treinamentos, correndo duas léguas a fio carregando grandes pesos às costas, realizando torneios de força e agilidade onde os vencedores recebiam em prêmio as mais lindas donzelas da tribo.

Toda a nação tomou o nome do grande chefe Janduí. Alimentavam-se de frutas, mel e raízes. Não tinham plantações. Não trabalhavam.

Era aqui (Assú) a sua grande aldeia ou taba, denominada ‘Taba-Assú’, que quer dizer ‘Aldeia Grande’. (Assú - Pedro Amorim, 1929; 03).    

        Conforme pesquisas realizadas, sempre que se encontra algum documento com alusão ao nome da Taba, a grafia está separada com hífen, com dois esses e acento agudo no “U”. Há uma afirmação do mestre Câmara Cascudo que discorda da existência do elemento "Taba" na denominação Taba-Assú. Portanto, pelo que se foi estudado, nenhum outro historiador discorda deste fato. Sem polemizar, é coerente dar maiores créditos à maioria que defende a existência da palavra e da Aldeia Taba-Assú, de onde vem a origem da concepção primitiva do nome da povoação.

Fonte: Assu - Dos Janduís ao Sesquicentenário - Ivan Pinheiro.
Mapa ilustrativo: Wikipédia