domingo, 30 de março de 2025

BODEGAS

BODEGAS
Foto Ilustrativa - https://luizberto.com/a-bodega/

Ivan Pinheiro
Em Assú, quase todos os bairros e comunidades rurais possuíam uma bodega – ponto comercial da localidade. O proprietário da bodega, geralmente era também dono de terras. Era o afortunado do lugar. No entanto, vendia mais fiado do que a vista. O bodegueiro na maioria das vezes também comprava cereais, algodão, couros de ovinos e caprinos. Era comum os habitantes do lugar venderem seus produtos e, ao mesmo tempo, com o dinheiro da venda, adquirirem as mercadorias que necessitavam para a manutenção da família. Em ano de seca, praticamente não havia compra de produtos agrícolas, por inexistência de safra.

As mercadorias para abastecer as Bodegas eram compradas na feira do Assú, em Mossoró ou no brejo da Paraibano. A farinha, o milho e o feijão eram vendidos em medidas feitas de madeira: meio litro, litro, meia cuia e cuia. A meia cuia equivalia a cinco litros, enquanto a cuia correspondia a dez litros. O querosene era vendido no varejo em litro, garrafa ou meia garrafa. Na bodega, havia um tambor ou uma lata com torneira, no qual se despejava, pela tampa superior, uma lata de querosene, para ser revendida na quantidade solicitada pelo freguês.

As farinhas em grosso bem como os garajais de rapaduras vinham do vizinho Estado da Paraíba. Até a década de setenta, no sertão, o consumo de rapadura era intenso. Esse produto era a sobremesa do sertanejo. Em certas famílias, a rapadura era utilizada em lugar do açúcar, por ser mais barata e, talvez, porque fosse mais apreciada que esse outro alimento. A pessoa, com o auxílio de uma faca, transformava a rapadura sólida em raspa para adoçar café, leite, coalhada e outros alimentos. Além disso, a rapadura era também utilizada para se fazer mel ou como ingrediente na fabricação de doces e cocadas. O mel da rapadura era muito apreciado com farinha.       

Na bodega, que eu lembre, de imediato, era vendido: farinha, rapadura, açúcar branco e preto, arroz da terra, fósforo, querosene, óleo em retalho, carne de jabá e geralmente no final de semana o bodegueiro matava um porco, salgava e passava a semana vendendo, inclusive o toicinho, que servia de óleo para fritar peixe, ovos e também ser colocado no feijão para dar o gosto.

Se fosse possível mostrar, através de um retrovisor do tempo a vida campestre de outrora, certamente nossos jovens não seriam tão exigentes.
Subsídios colhidos no livro Memórias Campestres - Ernandes da Cunha.

sábado, 1 de março de 2025

HISTÓRIA

Primeiros Nomes do Assú - PARTE II


Arraial de Santa Margarida 
O levante indígena contra os colonizadores tem maior intensidade com a rebelião denominada Guerra dos Bárbaros.
 Informa Taunay que Manoel de Abreu Soares, chegando à Ribeira do Assú, acampou num lugar chamado Olho D’água e depois em Poço Verde, onde construiu estacada (Atualmente, ainda subsistem esses topônimos, o primeiro no rio dos Cavalos e o outro na margem esquerda do rio Assú). Encontrou-se destruído, o arraial fundado pelo pessoal ligado a João Fernandes Vieira, “cujas casas os índios saquearam, tendo feito grande mortandade de gente e animais”. Depois de sepultados os ossos, encontrados ao relento, Manoel Soares seguiu na pista dos índios, que foram localizados em Mossoró onde tinham ido abastecer-se de sal. Travado intenso combate morreram dois homens da tropa, ficando um ferido, ocorrendo uma grande matança de índios, que se dispersaram.
Os remanescentes do grupo indígena refugiaram-se no seu valhacouto do Carrasco, de onde voltaram, incendiando o antigo arraial e atacando o fortim de Abreu Soares, dali distante uma légua.
Resolveu, então, Abreu Soares acampar em local distante seis léguas acima do arraial destruído, tendo iniciado a construção, à margem esquerda do rio Assú, de uma Casa-Forte para proteção das tropas contra as arremetidas dos tapuias.
Esclarece Santos Lima que os locais do Arraial e da Casa-Forte, ainda hoje são denominados pela população.
Naquela Casa-Forte, Abreu Soares permaneceu por quatro meses, sem que se verificassem ataques dos índios, tendo o mesmo regressado a Natal, ficando como substituto, no comando o Sargento-mor Manoel da Silva Vieira.
Na ausência do Capitão-mor Abreu Soares, os índios voltaram à carga, sendo repelidos pelo sargento-mor, ficando as tropas aquarteladas na casa-forte, porém sem condições de perseguir o inimigo. O capitão-mor regressou ao Assú, pelo início de 1687, e ali chegando perseguiu os selvagens durante 25 dias, desbaratando-os já no Ceará. Aprovisionou-se de alimentos retornando ao Assú numa longa viagem que durou três meses. (Índios do Assú e Seridó - Olavo de Medeiros Filho, 1984: 118).
De fato, para o colonizador, a guerra assumiu proporções perigosas e desastrosas. Uma carta do senado da Câmara de Natal, datada de 23 de fevereiro de 1687, dirigida ao Governador de Pernambuco, João da Cunha Souto Maior, dava conta que só no Assú os povos indígenas do grupo Tapuia:

“já tinham morto de cem pessoas, escalando os moradores, e destruindo os gados e lavouras, de modo que, já não eram eles os senhores daquelas paragens, que a fortaleza se achava sem guarnição, não dispunha de recursos necessários para acudir os pontos atacados.” (Pires, 2002; 67/78).

No dia 20 de julho de 1687 a região do Assú é denominada de ARRAIAL DE SANTA MARGARIDA. Em plena efervescência da Guerra dos Bárbaros, ou levante do Gentio Tapuia, o Capitão-Mor Manuel de Abreu Soares fundou o Arraial.
Acampou, nesta data, na fralda de uma colina arenosa, à margem esquerda de um braço do rio Assu, lugar onde se diz fora o principal alojamento dos índios, conhecidos por Taba-Assú, a cerca de 2 quilômetros da Casa-Forte pelo lado sul”. (Medeiros, 1984; 119).
A origem do nome do novo arraial, batizado com o nome de Santa Margarida, deu-se em decorrência de coincidir a data da chegada de Abreu Soares ao Assú, vindo do Ceará, com o dia em que era festejada aquela santa pelos católicos.   
O arraial começou a dar ares de desenvolvimento ao tempo em que continuavam os ataques dos selvagens. Foram feitos muitos sacrifícios de vidas e de haveres para a completa exterminação dos rebelados, passando, após a criação da freguesia (1726), a ser conhecido pela denominação de Povoação de São João Batista da Ribeira do AssúOs Janduís, apaziguados, foram aldeados no arraial com seus missionários. 

Fonte: Assu - Dos Janduís ao Sesquicentenário - Ivan Pinheiro.
Foto ilustrativa: históriarn.blogspot.com

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

HISTÓRIA

 Primeiros nomes do Assú - PARTE I

TABA-ASSÚ

Na visão do historiador Luiz da Câmara Cascudo “O nome popular, real, lógico é o Assú, valendo o rio condutor das atividades. Taba-Assú é uma imagem literária sem fundamento histórico”. 

Um dos primeiros relatos da existência de índios na região do Assú é feito por Ferreira Nobre. O historiador Nestor dos Santos Lima, no seu livro ‘Municípios do Rio Grande do Norte’, editado em 1937, cita Manuel Ferreira Nobre que em seu trabalho “Breve notícia sobre a Província do Rio Grande do Norte”, publicado em 1877, em Vitória-ES, afirma que: “... no ano de 1650, uma tribo de numerosos índios levantou os fundamentos da cidade, (do Assú), dando-lhe o nome de TABA-ASSÚ, que quer dizer Aldeia Grande”.

O Assú era povoado, por volta de em 1650, por numerosos íncolas selvagens, chamados Janduís, que formavam uma grande tribo, cujos acampamentos estendiam-se do Vale do Assú à ribeira do Mossoró.

Guerreiros. Cultivavam a força física da sua raça por meio de contínuos exercícios e treinamentos, correndo duas léguas a fio carregando grandes pesos às costas, realizando torneios de força e agilidade onde os vencedores recebiam em prêmio as mais lindas donzelas da tribo.

Toda a nação tomou o nome do grande chefe Janduí. Alimentavam-se de frutas, mel e raízes. Não tinham plantações. Não trabalhavam.

Era aqui (Assú) a sua grande aldeia ou taba, denominada ‘Taba-Assú’, que quer dizer ‘Aldeia Grande’. (Assú - Pedro Amorim, 1929; 03).    

        Conforme documentos pesquisados, quase sempre que se encontra algum documento com alusão ao nome da Taba, a grafia está separada com hífen, com dois esses e acento agudo no “U”. Há uma afirmação do mestre Câmara Cascudo que discorda da existência do elemento "Taba" na denominação Taba-Assú. Portanto, pelo que se foi estudado, nenhum outro historiador discorda deste fato. Sem polemizar, é coerente dar maiores créditos à maioria que defende a existência da palavra e da Aldeia Taba-Assú, de onde vem a origem da concepção primitiva do nome da povoação.

Fonte: Assú - Dos Janduís ao Sesquicentenário - Ivan Pinheiro.
Mapa ilustrativo: Wikipédia 

domingo, 8 de setembro de 2024

REMINISCÊNCIAS:


 
 
João Batista o meu abraço,
muito amigo, cordial,
Eu lhe envio neste dia,
Do seu ditoso natal.
 
O seu nome neste dia,
Muito relembra de certo,
João Batista, grande Santo,
O Pregador do deserto.
 
Que ele o Santo Profeta,
Que é da virtude o troféu,
Sobre você chova bênçãos,
Do seu trono, além do céu.

Seja bom, estudioso,
Deus de amor o acompanhe,
Seja na vida o conforto,
Da sua extremosa mãe.

Receba pois, amiguinho,
Meu sincero parabéns,
Lhe desejo mil venturas,
Pois lhe quero muito bem.

O seu prazer é bem justo,
Sua data é promissora,
E a Virgem do Rosário,
Zele o seu aniversário,
Pede à Deus a professora.


Sinhazinha Wanderley, 24/10/1942
Fonte: A saudosa Tereza Ferreira (filha do homenageado).

quarta-feira, 27 de março de 2024

POESIA

FACES SEM SORRISO

Menino qual o teu nome
Que tens uma angústia louca?
Foi o cabresto da fome
Que amordaçou minha boca,
Pois no meu nome senhor
Só há desespero e dor,
Tristeza e desolação,
O meu nome nada importa
Fico a soleira da porta
Pedindo a esmola de um pão.

E aquele rapaz, quem é
Que está ao pé do serrote?
É o meu irmão José
Que foi dar água ao garrote;
Chega José paciente,
Senta-se ao mesmo batente,
Vago olhar amortecido,
Na palidez do seu rosto
Tinha a força do desgosto
De um jovem desiludido.

O André chega também,
Antônio, Ambrózia e Tereza
Cada rosto uma tristeza,
Só alegria não vem
A pobre mãe numa rede
Embala o pé na parede
O filho mais pequenino,
Dois ou três meses de idade
Mais é na realidade
Vítima do mesmo destino.

Esse pequeno inocente
Sem brilho nos olhos seus
Sofre por culpa de Deus?
Não. Culpa dos homens somente,
Os homens sim, são culpados
Que aos filhos dos desgraçados
Lançam os grilhões da miséria
De Deus, não, a culpa é deles
Como se não fossem eles
Filhos da mesma matéria.

Autor: Francisco Agripino de Alcaniz - Chico Traíra.
Fonte: Espinhos e Flores da Minha Terra/1986.
Ilustração: Pintura de Bartolomé Esteban MURILLO - conhecida como "o jovem pedinte" (c. 1650).

segunda-feira, 25 de março de 2024

CAUSO

Meu cunhado Canindé Barbosa quando está bêbado só fala chiando. 

Certa vez, estávamos numa confraternização em família quando Ceiça sua irmã, já invocada com aquela chiadeira, disse: 

- Canindé, toda palavra você só fala chiando, não é? Pois eu duvido você pronunciar a palavra NÃO, chiando! 

Canindé, sem pensar duas vezes, arrematou: 

- Not

Livro: Dez Contos & Cem Causos - Ivan Pinheiro

Imagem Ilustrativa 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

TROVA ASSUENSE

POBREZA

PObreza, mísera peça,
Soluços, prantos, ruína;
Té a palavra começa,
Por onde tudo termina.

Poeta: Luís de Macedo Filho

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

REMINISCÊNCIAS

PERSONALIDADE ASSUENSE

OTAVIANO CABRAL RAPOSO DA CÂMARA nasceu a 15 de janeiro de 1819, na fazenda Arraial, de propriedade do seu avô, coronel Jerônimo Cabral de Oliveira, no município de Assu, hoje Carnaubais. Foram seus pais: o coronel Gabriel Soares Raposo da Câmara e dona Francisca Cabral de oliveira. Bacharel pela Faculdade de Direito de Olinda, em 1843. Chefiou o Partido “Nortista”, depois “Conservador”, em cuja agremiação política teve destacada influência, chegando a exercer o cargo de Deputado Provincial em seis legislaturas: 1852-1853, 1860-1861, 1862-1863, 1864-1865, 1866-1867 e 1870-1871.
Otaviano Cabral representou, também, o Rio Grande do Norte, na Câmara Temporária ou Assembleia Geral do Império (o cargo atual de Deputado Federal) nas legislaturas de: 1853-1856 e 1869-1872, sendo que esta última, por decreto de 18 de julho de 1872, foi dissolvida.
Na qualidade de 1º Vice-presidente da Província do RN, nomeação de 02 de julho de 1853, assumiu o Governo de 19 de maio a 18 de junho de 1858, e, com a mesma nomeação como 3º Vice-presidente, governou de 17 de fevereiro a 22 de março de 1870.
Otaviano fez parte de uma delegação da Câmara Municipal de Natal, em 1869, para cumprimentar Sua Majestade o Imperador à sua chegada em Recife. Advogado e tribuno político, a sua atuação foi notável, exercendo, também, destacado relevo no jornalismo provinciano. Ligado aos seus irmãos Jerônimo, Gabriel e Leocádio, “Os Cabrais”, como era chamado o grupo Saquaresma, formava uma arregimentada corrente política com acentuada preponderância nos destinos administrativos do Estado.
Foi Procurador Fiscal da Tesouraria Provincial, de 31 de agosto de 1870 a 15 de junho de 1872 e exerceu, também, o cargo de Inspetor da Tesouraria quando, a seu pedido, foi exonerado.
Homem de espírito culto e progressista, Otaviano Cabral fundou, em parceria com outros, em 1854, em Natal, a Sociedade Teatral Apolo Rio-Grandense. Por sugestão do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, no ano de 1930, a Prefeitura Municipal do Natal, em louvor aos seus méritos, ligou seu nome a uma rua.
OTAVIANO CABRAL RAPOSO DA CÂMARA faleceu, no município de Bonito, no estado de Pernambuco, no ano de 1872.
Como foi possível observar, mostramos mais um assuense que chegou ao topo da governabilidade estadual, ou seja, foi Governador do Rio Grande do Norte, na época em que era Província.
   
Fonte: Titulados do Assu - Francisco Amorim

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

HISTÓRIA

MERCADO DO ASSU

Uma Casa de Mercado
Mercado Público (à direita) - Provavelmente anos vinte (a Praça foi construída em 1932) 
Pesquisando os alfarrábios da história do povo assuense, encontramos que: No ano de 1875, foi construído o primeiro mercado do Assu o qual abriu suas portas no ano de 1876. O construtor do primeiro Mercado do Assu foi o cidadão assuense Dr. Luiz Carlos Lins Wanderley o qual vendo a necessidade da cidade se desenvolver comercialmente, edificou, as suas custas, por meio de contrato, com cláusula de usufruto por vinte anos, o que chamavam de “Uma Casa de Mercado”. Essa construção custou-lhe uma cadeira de deputado provincial. 

Mercado Público (ao fundo) - Provavelmente anos 30.
O tempo passou e pequenas reformas ocorreram no prédio que foi ficando pequeno para a demanda do comércio do Assu – cidade pólo da região do Vale.

Novas Instalações

Buscando suprir estas necessidades o então Prefeito Manoel Pessoa Montenegro resolveu demolir a antiga "Casa de Mercado" e construiu, no mesmo local, com o apoio do Interventor Federal (na época, o mesmo que Governador do Estado) um moderno prédio para servir de Mercado Público Municipal com condições físicas de atender a demanda comercial da cidade.
Mercado Público - Instalação mais modernas - foto provavelmente anos 70/80.
A inauguração deu-se no dia 19 de abril de 1943, cuja solenidade contou com a presença do Interventor Federal Dr. Rafael Fernandes Gurjão. 

O Patrono

Após o falecimento de Manoelzinho Montenegro, num gesto de reconhecimento, o seu nome foi escolhido como patrono, passando este logradouro a ser denominado de: Mercado Público Municipal Prefeito Manoel Pessoa Montenegro. 
Prefeito Manoel Pessoa Montenegro
Manoel Montenegro nasceu em Assu no dia 28 de fevereiro de 1892. Foi proprietário de terras, Farmacêutico e Político. Foi prefeito do Assu por 12 anos, no período de 1936 a 1948. Primeiramente nomeado pelo Presidente Getúlio Vargas e depois eleito pelo voto popular. Faleceu no dia 12 de agosto de 1967 em Natal. 

Reformas

Após a reconstrução do Mercado (1943) inúmeras benfeitorias foram desenvolvidas neste logradouro pelos administradores municipais. Destacamos as mais significativas reformas executadas nas gestões dos prefeitos: Arcelino Costa Leitão, Walter de Sá Leitão, Sebastião Alves Martins e Ronaldo Soares no seu primeiro mandato.

No entanto, a maior reforma ocorreu no ano de 2007 quando o Mercado Público Municipal Manoel Pessoa Montenegro foi totalmente reformado e dotado de infra-estrutura para comercialização de frios. Ou seja: carne bovina, suína, caprina, vísceras, frangos e peixes expostos em box’s devidamente higienizados e fiscalizados (à época da inauguração).

Inauguração

No dia 05 de maio de 2007 a Prefeitura Municipal do Assu, através do então Prefeito Ronaldo da Fonseca Soares, entregou à população assuense as novas instalações do Mercado Público. A solenidade de inauguração ocorreu às 9 horas com a presença de diversas autoridades, entre elas o Presidente da Câmara dos Vereadores Odelmo de Moura Rodrigues, vereadores: Carlos Alberto da Costa Bezerra, Heliomar Cortez Alves, Leosvaldo Paiva de Araújo, João Brito, João Lourenço, Manoel Targino e Francisco Lavoisier. Diversas outras instituições se fizeram presentes, entre estas: Prefeitura Municipal de Ipanguaçu na pessoa do prefeito José de Deus Barbosa FilhoSEBRAE IBAMA. Também se fizeram presentes Gerentes, Secretários, Diretores e Chefes de Sessões da Prefeitura do Assu, comerciantes do mercado, feirantes e um grande numero de populares.

Mercado Público -  Abril de 2007 - Antes da Inauguração
Infraestrutura 

A ampla reforma realizada pela Prefeitura do Assu (com recursos próprios) trouxe de volta (à época) a perspectiva de bons negócios para o comércio local. O Mercado Público teve toda estrutura hidráulica e elétrica recuperada (com moderna iluminação), substituição do piso (externo e interno), reestruturação da fachada, instalação de sanitários adaptados para deficientes físicos, construção de 70 boxes para acomodação dos comerciantes individualizados, uma sala de desosso além de uma ampla Câmara frigorífica para conservação dos produtos.
Mercado Público - foto mais recente
À época, a obra contemplou o anseio da população no que concerne a qualidade dos gêneros comercializados. O Mercado veio complementar os serviços executados no moderno Matadouro Público Prefeito Sebastião Alves Martins - reconstruído, neste mesmo período, para atender aos padrões de higienização e qualidade total dos produtos.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

LIBERDADE


LIBERTAÇÃO DE ESCRAVOS EM ASSU

No dia 18 de outubro de 1879 – Aconteceu em Assu a Libertação de 04 escravos – No livro de Notas nº 19, do Fórum do Assú, esta registrada a quatro cartas de liberdade dos escravos: Felicidade, Thomaz, José e Maria, de propriedade de Trajano Lopes de Souza e de sua mulher Aldonça Maria da Conceição. No presente caso, eles poderão gozar de sua liberdade, como se de ventre livre tivessem nascido, segundo expressaram seus proprietários ao professor Elias Antonio Ferreira Souto, a quem pediram para passar as cartas.

“Nós abaixo assignados declaramos que de nossa livre vontade e sem constrangimento algum, concedemos a liberdade, sem ônus de qualquer natureza, a nossa escrava Felicidade, parda, de quarenta e oito anos de idade, matriculada no município de Santana do Mattos, sob os número 401 d’ordem da matrícula geral, 5 de ordem da relação e 136 da relação, podendo a dita escrava gozar de sua liberdade de hoje em diante como se de ventre livre tivesse nascido. Em firmeza do que pedimos ao Professor Elias Antônio Ferreira Souto esta por nós passasse, em que ambos assignamos, perante as testemunhas João Antonio de Faria e Alexandre Rodrigues de Mello. Cidade do Assú 18 de outubro de 1879. Trajano Lopes de Souza Aldonça Maria da Conceição residentes no município do Assú/RN”.

O teor das quatro cartas é o mesmo, mudando apenas a especificação do escravo:

“... O nosso escravo Thomaz, pardo, de dezoito annos de idade, filho de nossa escrava Felicidade, cujo escravo foi matriculado no município de Santana do Mattos, sob os números 400 da matricula geral, 4 de ordem da Relação e 136 da Relação apresentada”.

“... O nosso escravo José, pardo, de dezenove annos de idade, filho da nossa escrava Felicidade, matriculado no município de Santana do Mattos, sob os números 399 da matrícula geral, 3 de ordem da Relação e 136 da Relação apresentada”.

“... A nossa escrava Maria, parda, de quinze annos de idade, filha de nossa escrava Felicidade, cuja escrava Maria foi matriculada no município de Santana do Mattos, sob os números 402 da matricula geral, 6 de ordem da Relação e 136 da Relação apresentada”. (Fonte: Livro de Notas do Fórum do Assú).
No dia 18 de outubro de 1879 – Aconteceu em Assu a Libertação de 04 escravos – No livro de Notas nº 19, do Fórum do Assú, esta registrada a quatro cartas de liberdade dos escravos: Felicidade, Thomaz, José e Maria, de propriedade de Trajano Lopes de Souza e de sua mulher Aldonça Maria da Conceição. No presente caso, eles poderão gozar de sua liberdade, como se de ventre livre tivessem nascido, segundo expressaram seus proprietários ao professor Elias Antonio Ferreira Souto, a quem pediram para passar as cartas.

“Nós abaixo assignados declaramos que de nossa livre vontade e sem constrangimento algum, concedemos a liberdade, sem ônus de qualquer natureza, a nossa escrava Felicidade, parda, de quarenta e oito anos de idade, matriculada no município de Santana do Mattos, sob os número 401 d’ordem da matrícula geral, 5 de ordem da relação e 136 da relação, podendo a dita escrava gozar de sua liberdade de hoje em diante como se de ventre livre tivesse nascido. Em firmeza do que pedimos ao Professor Elias Antônio Ferreira Souto esta por nós passasse, em que ambos assignamos, perante as testemunhas João Antonio de Faria e Alexandre Rodrigues de Mello. Cidade do Assú 18 de outubro de 1879. Trajano Lopes de Souza Aldonça Maria da Conceição residentes no município do Assú/RN”.

O teor das quatro cartas é o mesmo, mudando apenas a especificação do escravo:

“... O nosso escravo Thomaz, pardo, de dezoito annos de idade, filho de nossa escrava Felicidade, cujo escravo foi matriculado no município de Santana do Mattos, sob os números 400 da matricula geral, 4 de ordem da Relação e 136 da Relação apresentada”.

“... O nosso escravo José, pardo, de dezenove annos de idade, filho da nossa escrava Felicidade, matriculado no município de Santana do Mattos, sob os números 399 da matrícula geral, 3 de ordem da Relação e 136 da Relação apresentada”.

“... A nossa escrava Maria, parda, de quinze annos de idade, filha de nossa escrava Felicidade, cuja escrava Maria foi matriculada no município de Santana do Mattos, sob os números 402 da matricula geral, 6 de ordem da Relação e 136 da Relação apresentada”. 
(Fonte: Livro de Notas do Fórum do Assú).

sábado, 15 de abril de 2023

REMINISCÊNCIAS:

PADARIA SANTA CRUZ - ASSU

A PADARIA SANTA CRUZ fabricava os seguintes produtos: 

BOLACHAS:
Melindrosa, Flor do Assú, Japonesa, De Banha e Regalia-Vitória.

BISCOITOS:
Salineiro, Fino, Melindre, Tareco e XPTO.

PÃES:
Francês, Massa Fina, Doce e Cetim.

Muito interessante era o anuncio da PADARIA SANTA CRUZ.

O ABECÊ DAS DONAS DE CASA
ASSU possui a melhor a melhor padaria do Estado - A PADARIA SANTA CRUZ.
B
BOLACHAS,  bolachinhas e biscoitos do mais fino paladar! são os da PADARIA SANTA CRUZ.
C
CADA freguês é um propagandista espontâneo dos saborosos produtos da PADARIA SANTA CRUZ.
D
DELICIOSAS e preferidas são as massas da PADARIA SANTA CRUZ.   
E
ETELVINO Caldas foi, em 1907 o fundador da PADARIA SANTA CRUZ.
F
FAMA não corre, voa! É por isso que já está tão longe o renome da PADARIA SANTA CRUZ.
G
GOSTO apurado tem todo aquele que prefere os biscoitos e bolachas da PADARIA SANTA CRUZ.
H
HURRA! Gritam os garotos de outras terras, em volta da mesa familiar, quando lhe apresentam biscoitos da PADARIA SANTA CRUZ.
I
INGLESA era antigamente a manufatura dos biscoitos "cracknell" mas, hoje eles são fabricados caprichosamente na PADARIA SANTA CRUZ.
J
JUSTIÇA faz todo aquele que reconhece a superioridade do pão da PADARIA SANTA CRUZ.
L
LANCHE bom, só se faz tendo à mesa os famosos biscoitos da inimitável PADARIA SANTA CRUZ.
M
"MIMOSA" é a bolachinha que os médicos atestam ser, própria para os convalescentes, e é um produto exclusivo da PADARIA SANTA CRUZ.
N
NATAL, a capital do nosso Estado também importa os deliciosos biscoitos da PADARIA SANTA CRUZ.
O
ÓTIMOS e por isso mesmo, sempre preferidos, são os produtos da PADARIA SANTA CRUZ.
P
PANIFICADORA é o endereço telegráfico da PADARIA SANTA CRUZ.
Q
QUANDO viajantes querem ser recebidos festivamente em sua casa, faz de passagem por Assu um bom sortimento de massas da PADARIA SANTA CRUZ.
R
"REGALIA" é o nome de uma bolachinha muito apreciada que só se encontra na PADARIA SANTA CRUZ.
S
SOLON Wanderley é hoje continuador de Etelvino Caldas e, tem aperfeiçoado sempre os métodos de fabricação da PADARIA SANTA CRUZ.
T
TODO mundo diz, em alto e bom som, que não há igual à PADARIA SANTA CRUZ.
U
UNIDOS pelo mesmo ideal de bem servir o público, e demonstrar os seus conhecimentos , como exímios panificadores - trabalham os mestres e operários da PADARIA SANTA CRUZ.
V
"VITÓRIA" é uma bolachinha que tem a fama que merece e é uma criação do proprietário da PADARIA SANTA CRUZ.
X
"X.P.T.O" é um bom biscoito para lá de bom que só se encontra na PADARIA SANTA CRUZ.
Z
ZELO, agrado e sinceridade, é lema que torna vitoriosa em toda linha PADARIA SANTA CRUZ.

Fonte: Lembranças e Tradições do Assu - Maria Eugênia - FJA - 1978.
Fotografia: Demóstenes Amorim - Solon, Afonso e funcionários da Padaria Santa Cruz (arquivo de Ivan Pinheiro). 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

POESIA

A FEIRA

Feira de louças de barro - anos 70, no Assú

Feira Livre no Assu - foto Jean Lopes











É sábado, amanhece o dia
Chegam primeiro os feirantes
Loroteiros, arrogantes
Arrumam as mercadorias.
Mais tarde vem os feireiros
Sempre em grupos separados
Ainda desconfiados
Com as sacolas vazias.

Grita logo um barraqueiro:
“- Olha aqui feijão novinho
Tem enxofre e mulatinho
Tem o preto e o macaça
Esse amarelinho é bom
O pintado é um azeite
Se quer levar aproveite
Que hoje é quase de graça”.

Muitos trazem pra vender
Couro de bode, algodão,
Batata, milho verde e feijão,
Porco, carneiro e peru,
Depois que terminam as vendas
Se reúnem, vão beber,
As mulheres vão comer
Pé-de-moleque e angu.

Entra um rebanho no bar,
Lá já tem outra patota,
Ali começa a lorota
Pois o prazer é profundo.
Tomam a primeira dosagem
Logo após, outra bicada,
Com a terceira rodada,
Haja mentira no mundo.

Diz um, nunca me faltou
Dinheiro pra brincar
Quando eu quero vadiar
Boto a sela no jumento.
Responde outro, melado
Eu juro no evangelho
Que no meu cavalo velho
Derrubo até pensamento.

Grita um mais exaltado
Comigo não tem ladeira
Eu topo toda zonzeira
Toda brincadeira é festa.
Grita outro, eu também sou
Osso duro de roer
Quem quiser venha saber
Um velho pra quanto presta.

A coisa está esquentando
Vai acabar o zum-zum
Chega a mulher de um
Do outro chega a esposa
Com pouco o filho do outro
Chega pra dar o recado
“- Mamãe está no mercado
Vamos comprar qualquer coisa".

O vendedor de galinha
Fala alto, “aqui freguês
Essa galinha pedrês
É pesada de gordura,
Esse pescoço pelado
É boa pra criar,
Eu garanto ela botar
Cem ovos numa postura.

Um galo velho surú
Pra cantar não tem mais som
O vendedor diz “É bom!
Pode levar que é novinho.
Esse galo, meu amigo,
Ainda tem outra coisa
Tem dado surra em raposa
Que ela perde o caminho.

“- Olha a ovelhinha gorda!”
Gritam lá na criação
Grita o do porco “O leitão
É novinho, cavalheiro”!
O velho que está melado
Não presta muita atenção,
No porco compra barrão;
No bode, pai de chiqueiro.

Na carne de gado mostram
Uma manta do pescoço
“- Aqui é carne sem osso,
Compra boa, quem conhece!”
A carne velha encardida
Como que foi de murrinha
Na panela não cozinha
Na brasa não amolece.

Aquele que se entreteu
Na birita o dia inteiro
Acabou todo o dinheiro
Passou o tempo e não viu
Ficou sem nenhum tostão
No bolso da velha calça
O que sobrou da cachaça
O pife-pafe engoliu.

Arranja uma confusão
Quase ao morrer do dia
Vai para a delegacia
Para um repouso forçado
Coitado, caiu à crista.
De manhã faz a faxina
Inda vai dar entrevista
Com o doutor delegado.
Chico Traíra
Do poeta Francisco Agripino de Alcaniz, o popular Chico Traíra – grande violeiro, assuense de coração, nascido no sítio Pau de Jucá – Ipanguaçu/RN. Em Assu existe uma rua,  no Bairro Frutilândia, que tem Chico Traíra como patrono.